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A governadora Hana Ghassan (MDB) acionou as forças policiais para retirar trabalhadores rurais de uma área no sudeste do Pará que, segundo o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), já foi destinada à criação de um assentamento para famílias sem terra. De acordo com o movimento, trata-se de área pública reconhecida como de interesse social para fins de reforma agrária, e não de propriedade privada, como sustenta o governo estadual.
Em publicação nas redes sociais, a governadora afirmou ter determinado o envio das polícias Civil e Militar à Fazenda Entre Rios com o objetivo de “restabelecer a ordem” e garantir o direito à propriedade. No entanto, a medida não teria respaldo em decisão judicial, e a natureza da propriedade é contestada por documentos oficiais que tratam da destinação da área.
As áreas conhecidas como Fazendas Encontro das Águas e Campo Alegre (ou Fazenda Entre Rios) foram incluídas na Portaria nº 1.529, de 22 de dezembro de 2025, do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), que institui o Projeto de Assentamento Maria Glória, no município de Marabá, com 4.869,2223 hectares e previsão de atendimento a 194 famílias. (Confira a portaria do Ministério do Desenvolvimento Agrário)
Em nota pública, o MST afirma que a presença das famílias não configura invasão de área privada, como tem sido divulgado por diferentes versões, mas sim a ocupação de um território já destinado à política pública de reforma agrária. Segundo o movimento, a ação busca pressionar o governo federal pela efetivação do assentamento e pela garantia de condições dignas às famílias.
Os trabalhadores também afirmam ainda que não aceitarão “qualquer forma de violência, intimidação ou repressão contra as famílias acampadas, seja por parte de latifundiários da região ou de agentes da Polícia Militar do Estado do Pará. A luta pela terra é um direito legítimo e deve ser respeitada.”
No início deste ano, entidades de defesa dos direitos humanos divulgaram uma nota pública acusando o Estado do Pará de sustentar um sistema de impunidade responsável pela continuidade da violência no campo. Para as organizações, a atuação seletiva das forças de segurança, a inércia investigativa, o arquivamento de denúncias, a fragilidade do controle externo e a omissão na regularização fundiária criam um ambiente propício à repetição de chacinas, ameaças e expulsões forçadas no campo paraense.
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