Foto: Julia Rodrigues/Divulgação

“A forma viva na arte de Véio”, em cartaz na CAIXA Cultural Belém, até 31 de maio, ganha novos atrativos para o público paraense. Além da oportunidade de conhecer ou revisitar uma das mostras mais impactantes da programação cultural deste ano na capital, os visitantes também poderão ter acesso ao catálogo oficial da exposição e de brindes durante estas duas últimas semanas de visitação.

Véio, Cícero Alves dos Santos, 71, é nascido em Nossa Senhora da Glória, no sertão sergipano, onde desenvolveu uma obra profundamente ligada à cultura nordestina e à preservação ambiental. Filho de carpinteiro, o artista trabalha prioritariamente com madeiras mortas ou descartadas, sem derrubar árvores para criar suas esculturas.

“São coisas que eu crio de um momento. Não há necessidade de copiar de ninguém. É uma criatividade minha”, afirma o artista, que já produziu mais de 17 mil peças ao longo da trajetória. “O tronco fechado só me deixa fazer o que ele manda. São formas que eu crio dentro da própria madeira.”

Com mais de 230 obras reunidas nas galerias da CAIXA Cultural, a mostra marca a primeira exposição individual do artista sergipano Véio na região Norte do Brasil e apresenta ao público um mergulho no universo criativo de um dos nomes mais singulares da arte brasileira contemporânea. “É um tipo de trabalho criado por um artista nordestino. E que agora encontra aqui um espaço e um público que vai ver essas obras pela primeira vez,” diz ele.

O catálogo reúne textos curatoriais, fotografias das obras e reflexões sobre os principais núcleos da mostra, funcionando também como um registro da passagem histórica da exposição por Belém. E apresenta ao leitor as diferentes séries desenvolvidas pelo artista ao longo de décadas, além da relação entre os chamados “troncos abertos” e “troncos fechados”, conceitos centrais da obra de Véio.

Com curadoria de André Parente e produção do Estúdio Sauá, com patrocínio da CAIXA Cultural, a exposição reúne as séries que revelam os caminhos poéticos do artista. “Miniaturas, bonecos, penitentes, palhaços, os ‘cão dos meus infernos’, os esquecidos, as metáforas e finalmente as formas vivas”, explica o curador.

Segundo ele, a exposição evidencia duas maneiras distintas de criação presentes na obra de Véio: uma mais figurativa, ligada ao “tronco aberto”, e outra mais intuitiva e abstrata, associada ao “tronco fechado”. “Nas formas vivas, ele praticamente escuta a madeira. É quase um processo de imaginação e escuta da matéria. Algumas dessas esculturas parecem prontas para se mover. O espectador também precisa imaginar que ser é aquele”, comenta André Parente.

E destaca ainda o pensamento animista presente na produção do artista, tema abordado pelo curador no texto da publicação. “A madeira não é matéria inerte: ela responde, impõe limites, sugere caminhos”, escreve Parente ao discutir a relação de Véio com a matéria-prima e sua visão de mundo.

Além das esculturas, o catálogo traz um panorama sobre a trajetória de Véio, incluindo o reconhecimento pelo Guinness World Records, em 1986, como o maior miniaturista do Brasil, além de sua atuação na criação do Museu do Homem do Sertão e no trabalho de preservação da caatinga sergipana.

A distribuição dos catálogos e brindes, das 10h às 12h, integra as ações de encerramento da exposição e busca aproximar ainda mais o público da experiência da mostra. A entrada é gratuita.

Serviço
Exposição: A forma viva na arte de Véio
Período de visitação: até 31 de maio de 2026
Horário: terça a domingo, das 10h às 21h
Entrega de brindes: De 10h às 12h
Local: CAIXA Cultural Belém – Galerias 2 e 3
Endereço: Porto Futuro 2, Belém (PA)
Entrada gratuita
Curadoria: André Parente
Realização: Estúdio Sauá
Patrocínio: CAIXA e Governo Federal – Onde tem patrocínio tem Governo do Brasil

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