Exposição na CAIXA CULTURAL Belém pode ser vista até este domingo, 31 de maio, com entrada gratuita e brindes exclusivos para os visitantes. Foto: Obra: Os cão do meu inferno, 2018 – Crédito: Julia Rodrigues

A exposição “A forma viva na arte de Véio” pode ser vista este domingo, 31 de maio, na CAIXA CULTURAL Belém. Os visitantes poderão apreciar mais de 220 obras do artista sergipano Cícero Alves dos Santos, o Véio, uma produção de uma imaginação rica que faz surgir da madeira as formas mais variadas, indo desde peças monumentais a miniaturas.

“A forma da arte viva de Véio” propõe uma imersão pelo trabalho artístico de Véio, pela diversidade formal e poética do artista, reunindo obras de diferentes escalas e períodos, revelando a utilização de materiais e técnicas que vão da madeira crua à pintura em cores vibrantes, organizados de modo a conduzir o visitante por camadas de leitura, entre forma, narrativa e espiritualidade.

Com produção do Estúdio Sauá, especializado em expografias, a mostra tem curadoria de André Parente, que vê na chegada das peças de Véio a Belém um momento especialmente significativo para a circulação da arte brasileira contemporânea no país.

“Ao trazer para a Região Norte um conjunto amplo e expressivo da obra de Véio, a mostra não apenas apresenta ao público paraense a produção de um dos artistas mais singulares do Brasil, mas também cria um encontro sensível entre diferentes territórios culturais, simbólicos e naturais”, destaca o curador.

Parente lembra que a obra de Véio, presente em importantes coleções de arte brasileiras, nasce do sertão sergipano e de sua relação profunda com a madeira, com a Caatinga, com a escuta dos mais velhos, com os modos de vida sertanejos e com uma ética concreta de preservação ambiental e cultural.

“Ao chegar a Belém, esse universo se desloca sem perder suas raízes: encontra outro território marcado pela força da natureza, pela presença da floresta, pela diversidade de saberes populares e pela intensidade das culturas amazônicas. Esse encontro entre Sertão e Norte amplia a leitura da obra, mostrando que Véio fala a partir de um lugar específico, mas alcança questões fundamentais para todo o Brasil: a relação entre arte e vida, natureza e cultura, memória e invenção”, avalia.

A relevância de apresentar essa obra no Norte, destaca o curador, está justamente na possibilidade de reconhecer afinidades profundas entre experiências culturais distintas. “A madeira, que em Véio não é matéria morta, mas presença e vida latente, encontra uma região onde a relação com árvores, rios, florestas, objetos, bichos e espíritos também estrutura modos de existência e imaginação. Nesse sentido, a exposição não é apenas a apresentação de esculturas vindas de outro estado; é a abertura de um diálogo entre cosmologias brasileiras, entre formas diferentes de perceber a natureza como força viva e participante”.

Para André Parente, a exposição em Belém tem impacto exatamente pela amplitude do conjunto apresentado. “A exposição permite perceber a complexidade da obra de Véio para além de classificações simplificadoras”, resume.

CATÁLOGO

O curador lembra que tudo isso está registrado no catálogo da mostra, disponível gratuitamente ao público, inclusive em versão digital, transformando a experiência temporária da mostra em registro permanente e ampliando seu alcance. “Ele documenta não apenas as obras apresentadas, mas também o pensamento curatorial que orientou a mostra, a riqueza formal da produção do artista e a história de vida que atravessa sua relação com a madeira, o sertão, a memória e a preservação. Como registro, o catálogo é uma ferramenta de memória; como publicação, é uma forma de circulação. Ele permite que a obra de Véio chegue a leitores, pesquisadores, estudantes, artistas, instituições e públicos que talvez não tenham podido visitar a exposição, garantindo que a força desse trabalho continue a produzir conhecimento, encantamento e reflexão”.

Para André Parente, “A forma viva na arte de Véio” mostra, de forma irrefutável, que Véio ocupa um lugar decisivo na arte brasileira contemporânea justamente por escapar às categorias tradicionais. “Sua obra não cabe de modo confortável nos rótulos de arte popular, arte moderna ou arte contemporânea. Ela atravessa esses campos e os reinventa.”

ÚLTIMOS DIAS
Exposição A forma viva na arte de Véio
Obras do artista Cícero Alves dos Santos, o Véio.
Curadoria: André Parente
Local: CAIXA CULTURAL Belém – Galerias 2 e 3. Complexo Porto Futuro II, Av. Marechal Hermes, S/N, próximo à Estação das Docas
Visitação: Até 31 de maio de 2026
Horário: de terça-feira a domingo, das 10h às 21h
Retirada de brindes exclusivos: 10h às 12h.
Entrada gratuita
Classificação: livre para todos os públicos
Informações: Belém | CAIXA Cultural| @caixaculturalbelem

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