Vivi Reis denuncia ataques de perfis falsos após propor pontos de hidratação em Belém; jornalistas e veículos independentes também relatam ações coordenadas e derrubadas de perfis nas redes sociais. Foto: Reprodução

A vereadora Vivi Reis (PSOL) denunciou que está sendo alvo de ataques virtuais por perfis falsos nas redes sociais. Segundo a parlamentar, as ações se intensificaram logo após a apresentação de um projeto de lei considerado simples e necessário para a capital paraense: a instalação de pontos públicos de hidratação em áreas de grande circulação de Belém.

“Essa milícia digital não vai me intimidar. Mais uma vez, o meu perfil está sendo atacado por perfis falsos”, declarou a vereadora, autora da proposta.

Vivi Reis afirma que a medida é essencial para enfrentar os efeitos do calor extremo e proteger a saúde de trabalhadores, idosos, crianças, pessoas em situação de vulnerabilidade e até animais. “Cuidar das pessoas e dos espaços públicos também é preparar a cidade para os desafios das mudanças climáticas”, explicou.

A parlamentar também levantou suspeitas sobre a origem dos ataques. Segundo ela, sempre que denuncia problemas relacionados ao governo do Estado, sob comando de Helder Barbalho e Hana Ghassan (MDB), ou à Prefeitura de Belém, administrada por Igor Normando (PSDB), as ações coordenadas contra seu perfil se intensificam.

“Nós não sabemos ainda de onde vem esse ataque, mas uma coisa nós queremos entender: quem financia, quem organiza? Quem está por trás dessas milícias digitais?”, questionou a vereadora.

“Gabinete do ódio”

Nos últimos meses, outros perfis críticos também relataram ataques semelhantes nas redes sociais. Em abril, o jornalista Adriano Wilkson chegou a ter seu perfil suspenso no Instagram. Em maio, foi a vez da jornalista Mari Tupiassu, do Amazônia No Ar, denunciar uma série de ações em massa suspeitas após a repercussão de um vídeo em que criticava a redução do Parque Nacional do Jamanxim e apontava o apoio do governador Helder Barbalho à medida.

No fim do mesmo mês, o site jornalístico Tapajós de Fato informou que sua conta oficial no Instagram foi suspensa pela plataforma sem aviso prévio ou justificativa apresentada pela empresa responsável pela rede social. Enquanto tenta recuperar o perfil, suas publicações têm sido compartilhadas pelas redes sociais da Web Rádio Banzeiro.

As ocorrências levantam suspeitas sobre a atuação de ações coordenadas de assédio digital no Pará, com uso de perfis falsos, robôs, denúncias em massa e estratégias de desinformação para desestabilizar contas, reduzir alcance, estimular denúncias artificiais e, em alguns casos, provocar a derrubada de perfis críticos aos governos estadual e municipal.

A suspeita é de que exista uma estrutura organizada, atuando de forma semelhante ao que nacionalmente ficou conhecido como “gabinete do ódio”. Os episódios recentes reforçam a necessidade de investigação sobre ataques coordenados contra jornalistas, comunicadores e parlamentares no Pará.

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