Flávio Bolsonaro é um típico fariseu. Sepulcro caiado – Foto: Gemine
Por Aldenor Junior
As escrituras contam que o diabo tentou Jesus por 40 dias e 40 noites.
O demônio usou todas as suas artimanhas e magias para seduzir o Messias, o escolhido, o profeta que veio ao mundo para desconstruir as malhas do poder (no sentido espiritual, mas também na vida terrena, para livrar os humanos da opressão imperial e religiosa).
Flávio Bolsonaro é um típico fariseu. Sepulcro caiado. Tenta se mostrar limpo por fora enquanto está completamente apodrecido por dentro.
Nunca professou fé alguma, a não ser aquela que move os que são adeptos do pecado da Ganância e que vivem na Luxúria. São demônios mais que tudo, portanto.
Pois bem. O filho Zero Um está atravessando seu deserto. Sua capacidade de iludir e enganar está sendo posta à prova. E é na população evangélica – um de cada quatro brasileiros, em média – que essa pregação demoníaca começa a se mostrar fraturada. Uma excelente notícia nestes tempos turvos.
A última rodada da pesquisa Quaest, divulgada há poucos dias, revela uma queda de nove pontos na preferência eleitoral por Flávio Bolsonaro entre os eleitores evangélicos, antes tidos como uma gigantesca reserva para o candidato da extrema-direita.
O que explica esse movimento? Certamente, a revelação do áudio no qual Flavio exibe intimidade criminosa com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro ocupa lugar central nesse fenômeno recente de perda de densidade.
Afinal, não há quem não seja impactado com o festival de mentiras criadas para esconder – em vão, diga-se – a gatunagem de dezenas de milhões de dólares.
Só quem esteja cego, com a mente totalmente obliterada, é capaz de engolir a narrativa esfarrapada de patrocínio de um filme mequetrefe.
Ao que parece, algo se move no mundo evangélico, muito embora um seleto grupo de pastores magnatas tente conter a iminente debandada de seu rebanho.
O Brasil é grande demais para se tornar uma república teocrática, ainda mais tendo como núcleo dirigente uma quadrilha de embusteiros de quinta categoria.
O povo brasileiro, desde sempre, se manteve vivo inclusive por ter fé, uma fervorosa devoção frente ao sagrado. Esse traço não pode ser eludido simplesmente com a pregação (aliás, correta) de que somos, desde 1891, um Estado laico.
Haverá caminhos diversos para que evite o abismo do fundamentalismo, sem que se perca a capacidade de dialogar – de forma sincera e honesta – com as grandes maiorias sociais.
Está aí, para que ninguém desconheça, um dos maiores desafios para a campanha do presidente Lula, última fronteira que nos separa da barbárie que insiste em nos rondar.
Aldenor Junior é jornalista








