Foto: Vale/Divulgação

Por Aldenor Junior

Isso não deveria valer.

É jogo sujo.

A Vale tira tudo daqui.

Somos uma província mineral. Com todas as letras e também com as amargas consequências.

Se há uma província, na outra ponta há uma metrópole.

Aqui, nestas terras da qual se extraem mais de 300 mil toneladas de ferro todos os dias, resta o silêncio de quem assiste ao saque sem nada fazer.

Lá, na metrópole – no Brasil dos endinheirados e nas torres luminosas pelo mundo afora -, a cada 24 horas, o vil metal se multiplica, para deixar mais ricos os que já possuem demais.

Não existiria a riqueza da Vale e de seus acionistas privados sem que o Pará sofra esse saque sem fim.

Porém, ninguém imagina que os interesses do povo do Pará possam ter assento em alguma cadeira decisória da Vale. Somos objetos, algo inanimados, não mais que isso?

A Previ, fundo de previdência privada dos empregados do Banco do Brasil e um dos acionistas da Vale, vai emplacar o novo presidente do Conselho de Administração da mega mineradora que, repita-se, seria muito pouco sem as minas encravadas em solo paraense.

O escolhido, óbvio, não tem nada a ver com o Pará. E nem brasileiro de nascimento é. Trata-se, segundo fontes do mercado citadas pela mídia especializada, um tal Manoel Lino Silva de Sousa Oliveira, nascido em Portugal. Nossa “metrópole” dos tempos coloniais.

Piada pronta, portanto.

Segundo se diz, ele é um executivo com vasta experiência no setor mineral, com passagem por multinacionais como a Anglo American.

Certamente, não saberá em que parte do mundo fica Parauapebas e Canaã dos Carajás. E para a Vale isso pouco importa, desde que o fluxo desse tipo particular de capitalismo extrativista não sofra nenhuma solução de continuidade.

O Pará, com o seu povo pauperizado, a tudo assiste como se anestesiado por séculos de um colonialismo implacável.

Quem acionará a sirene de alerta, antes que a tragédia anunciada se concretize?

Afinal, essa enorme riqueza é finita e no ritmo atual de super exploração poucas décadas nos separam do juízo final.

Aldenor Junior é jornalista. 

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