Fotos: divulgação

A pré-candidata do PSOL ao Governo do Pará, Araceli Lemos, participou na última quarta-feira (17) de roda de conversa sobre violência política de gênero, abordando o tema com estudantes na Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra), iniciativa do Projeto Identidade Social e Educacional (ISE).

Os debates foram norteados pelos impactos da violência nos espaços de participação política, enfatizando os desafios para o fortalecimento da democracia, afetada diretamente pela exclusão feminina na política.

“Quando os homens não nos querem na política, eles usam essas práticas criminosas de ameaças, assédio e até de violência no campo virtual para nos excluir, impedir a nossa participação em espaços políticos”, destacou Araceli Lemos.

Ela lembrou o assassinato da vereadora Marielle Franco, do Rio de Janeiro, em março de 2018, ao reforçar que os episódios de violência contra mulheres se agravaram nos últimos anos, gerando índices crescentes de feminicídio. “O Brasil ostenta a triste média de quatro mulheres assassinadas por dia, e o Pará é o quinto Estado com mais feminicídios. Uma brutalidade sem tamanho!”, ressaltou a candidata.

Roda de conversa sobre violência política de gênero

Exercício da cidadania – Araceli Lemos reiterou ainda que a violência política de gênero não fica somente nos atos extremos de agressão física e assassinatos. Também está presente nas palavras ditas com a intenção de ferir, rebaixar e desqualificar a mulher.

“Quantas vezes ouvimos que política é lugar de homem? Há momentos que a gente precisa arrombar a porta porque não vão abrir e nem nos dar licença para o exercício da nossa cidadania”, assinalou a candidata do PSOL, lembrando que foi atacada várias vezes por deputados quando exercia seu mandato na Assembleia Legislativa do Pará.

Jornada dupla – Outra questão abordada por Araceli Lemos foi o trabalho exaustivo da mulher dentro de casa, que geralmente assume sozinha as tarefas domésticas. “As mulheres foram às ruas, mas os homens não vieram para dentro de casa. Muitas não estão nesses espaços de poder por causa da sobrecarga de trabalho, o que limita a nossa participação nos espaços de poder”, reforçou.

Estatística – Estudos apontam que 32% das candidatas a cargos municipais sofrem discriminação de gênero, índice que salta para 44% entre as candidatas a cargos estaduais e federais. De acordo com pesquisa da Confederação Nacional de Municípios (CNM), 66,7% das prefeitas já foram vítimas de violência política de gênero.

Mulheres negras, periféricas, trans e travestis são as principais vítimas das agressões, sendo a violência psicológica a mais recorrente.

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