Liberty Lima, Nicolas Ravi e Caytt Catrin compõem a Bancada Transformar – Foto: divulgação

O cenário político brasileiro ganha um capítulo histórico a partir da Amazônia. O Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) oficializou no Pará a pré-candidatura da Bancada Transformar à Câmara dos Deputados, consolidando o projeto como a primeira candidatura coletiva composta integralmente por pessoas trans na história do país a disputar o legislativo federal. Além do pioneirismo coletivo, a bancada carrega outro marco central para o pleito de 2026, abrigando, até o momento, a única presença transmasculina do Brasil na corrida para deputado federal.

Formado por lideranças com forte atuação de base, movimentos sociais e no meio acadêmico paraense, o coletivo traz trajetórias profundas de resistência e transformação nos territórios do estado. Entre os integrantes está Nicolas Ravi, educador popular e fundador do Cursinho Popular João W. Nery – a primeira iniciativa preparatória voltada para pessoas trans na Região Norte do país. Nicolas é estudante de Ciências Sociais, pesquisador nas áreas de gênero, sexualidade e educação, e atua ativamente na militância do movimento trans por meio do IBRAT (Instituto Brasileiro de Transmasculinidades). Junto a ele, a bancada conta com a força de Caytt Catrin, travesti e ativista histórica pelos direitos das mulheres e da população LGBTQIAPN+ no Pará, que constrói a resistência do movimento a partir de sua atuação no GRETTA (Grupo de Resistência de Travestis e Transexuais da Amazônia) e no movimento LGBT do estado. Somando ao trio, vinda de Cametá para trazer a vivência do interior paraense para o debate nacional, está Liberty Lima. Ela é ribeirinha, historiadora, ativista com sólida trajetória voltada principalmente para a área da cultura e doutoranda pela Universidade Federal do Pará (UFPA).

Com foco na transformação estrutural e na garantia de dignidade para as maiorias sociais, a Bancada Transformar elegeu três pilares centrais de atuação para mover as estruturas em Brasília: a educação, com foco na ampliação da educação popular e permanência estudantil; a cultura, valorizando a identidade amazônida e o fomento descentralizado; e os direitos humanos, com forte ênfase no combate à transfobia, ao feminicídio e ao racismo, além do enfrentamento à violência de gênero e defesa de minorias.

Em manifesto, o coletivo defende que a pré-candidatura não é apenas sobre ocupar uma cadeira, mas sobre mudar a lógica de quem decide os rumos do país, unindo a vivência de um cursinho popular, a força das travestis da Amazônia e o ativismo cultural e a identidade ribeirinha do interior do estado em uma voz transmasculina e coletiva para demarcar que o Norte não aceita mais o silenciamento.

O lançamento projeta o Pará na vanguarda da inovação democrática e da representatividade no país, seguindo o legado de Érika Hilton. Enquanto o Congresso Nacional historicamente exclui as pluralidades de gênero e a própria realidade amazônida, a articulação da Bancada Transformar desponta como uma alternativa viável de poder, renovação e direitos nas eleições de 2026.

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