Data center voltado à inteligência artificial será instalado em Belém. Foto: Freepik

As empresas Elea Data Centers, comprada recentemente pelo fundo internacional I Squared Capital, e Axia Energia, antiga Eletrobras, anunciaram, na sexta-feira (26), a construção do BEL1, data center voltado ao processamento de aplicações de inteligência artificial em Belém. Previsto para começar a operar no segundo trimestre de 2027, o empreendimento será construído próximo à subestação de alta tensão Miramar, no bairro do Barreiro.

A escolha de Belém parece repetir a lógica colonial imposta à Amazônia: o território como fonte de recursos, energia, localização estratégica e imagem ambiental, enquanto os principais benefícios são apropriados por grandes grupos econômicos.

Data centers não costumam gerar empregos permanentes. Por outro lado, ocupam território, exigem fornecimento contínuo de energia, demandam sistemas de refrigeração e podem pressionar recursos hídricos. Por trás da inteligência artificial, existem máquinas ligadas 24 horas por dia, consumindo eletricidade, produzindo calor e dependendo de infraestrutura pesada para funcionar. Segundo o site Carta Amazônia, ao atingir sua capacidade máxima planejada de 100 MW, o BEL1 consumirá o equivalente à energia de cerca de 500 mil casas.

A cidade que agora é apresentada como polo estratégico para data centers é a mesma onde parte da população convive com abastecimento de água precário, saneamento insuficiente, alagamentos, transporte público deficiente e serviços públicos sucateados. No interior do Pará, comunidades inteiras ainda enfrentam problemas de acesso regular à energia elétrica, internet, água potável, saúde e infraestrutura básica.

Apresentar um data center como “legado da COP30” inverte as prioridades de uma conferência que deveria discutir justiça climática, adaptação climática e proteção dos povos e territórios. Um projeto desse porte, voltado a atender grandes clientes corporativos, exige audiência pública, transparência sobre consumo de recursos naturais, licenciamento rigoroso, divulgação dos impactos, contrapartidas obrigatórias e participação da sociedade.

O data center de Belém será construído próximo à subestação de alta tensão Miramar. (Fonte: Google Maps)

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