Dino suspendeu repasses e bloqueou bens do presidente do PL; PF apura suspeita de redirecionamento de 21 emendas. Foto: Valdemar Costa Neto e Flávio Bolsonaro. Crédito: Beto Barata/PL (Reprodução)
Valdemar Costa Neto, presidente nacional do PL, é investigado pela Polícia Federal por suspeita de comandar indicações e redirecionamentos de emendas parlamentares mesmo sem exercer mandato. Nesta sexta-feira (10), o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a suspensão de recursos públicos ligados à suposta atuação do dirigente e a indisponibilidade de bens até R$ 119,2 milhões.
Segundo a decisão, a PF identificou indícios de que servidores da Câmara dos Deputados teriam atuado em conjunto e em benefício de Valdemar para desviar ao menos 21 emendas parlamentares.
Valdemar é citado como mandante de redirecionamento
No despacho, Dino reproduz elementos da Operação Transparência, investigação da PF que apura irregularidades na destinação de emendas. O ministro afirma que, sem mandato parlamentar, Valdemar “parece ter atuado, até muito recentemente, como mandante do (re)direcionamento de valores públicos”.
A apuração menciona mensagens encontradas pela Polícia Federal que demonstrariam a movimentação irregular. Dino apontou haver indícios convergentes de responsabilidade criminal, em tese, dos investigados no aparente desvio de aproximadamente R$ 119 milhões.
Dino trava repasses ligados a Valdemar Costa Neto
A suspensão determinada pelo ministro atinge emendas vinculadas ao suposto desvio que ainda estejam em fase de empenho, liquidação ou pagamento. Segundo a decisão, a medida busca proteger o patrimônio público, a moralidade administrativa e as regras que regem a execução financeira do orçamento.
Dino também determinou o bloqueio de bens de Valdemar até o limite de R$ 119,2 milhões. A ordem não significa condenação, mas amplia o cerco judicial e financeiro sobre o presidente do PL no caso das emendas parlamentares.
ADPF 854 mira rastreabilidade das emendas
O caso se insere no contexto da ADPF 854, ação em que o STF monitora a transparência e a rastreabilidade das emendas parlamentares. No Portal da Transparência, a Controladoria-Geral da União (CGU) informa que a ação atribui papel central ao detalhamento do ciclo completo de execução dessas verbas.
A atuação de Dino sobre emendas já havia produzido outras medidas de controle. Em junho, a Fórum mostrou que o ministro impôs multa por falta de transparência em emendas Pix destinadas a eventos.
Valdemar, que comanda o partido de Jair Bolsonaro, também já estava sob pressão no Supremo. Em outubro de 2025, o STF determinou a reabertura de investigação contra o dirigente por suspeita de participação na trama golpista.








