Proposta brasileira reúne o Theatro da Paz, em Belém, e o Teatro Amazonas, em Manaus. Documento técnico recomenda, porém, o reconhecimento apenas do monumento amazonense; decisão final caberá ao Comitê do Patrimônio Mundial. Foto: Teatro da Paz. Crédito: Bruno Cecim/Agência Pará. Foto: Teatro Amazonas. Crédito: Divulgação/Secretaria de Cultura e Economia Criativa/AM

A candidatura dos Teatros da Amazônia à Lista do Patrimônio Mundial da Unesco entrou na fase decisiva nesta semana. A proposta brasileira reúne o Theatro da Paz, em Belém, e o Teatro Amazonas, em Manaus, dois dos mais importantes monumentos culturais da região Norte.

A 48ª sessão do Comitê do Patrimônio Mundial começou no domingo, 19 de julho, com a cerimônia de abertura. Os trabalhos de análise tiveram início na segunda-feira, 20, e seguem até o dia 29, em Busan, na Coreia do Sul. Durante o encontro, representantes de 21 países decidirão sobre novas inscrições e sobre a conservação de bens que já integram a lista mundial.

A análise específica das novas candidaturas culturais, entre elas a brasileira, está prevista para ocorrer entre os dias 24 e 26 de julho. Até que o Comitê vote e publique sua decisão, os dois teatros continuam apenas como candidatos ao reconhecimento internacional.

Parecer recomenda exclusão do Theatro da Paz

Embora a candidatura tenha sido apresentada conjuntamente, um documento preparatório da Unesco traz uma recomendação que propõe a inscrição dos “Teatros da Amazônia”, mas com a exclusão do Theatro da Paz. Pelo texto, apenas o Teatro Amazonas e o Largo de São Sebastião, em Manaus, seriam incluídos na Lista do Patrimônio Mundial, com o nome do bem alterado para “Teatro Amazonas e Largo de São Sebastião, Manaus”.

O documento é uma proposta elaborada a partir da avaliação técnica do Conselho Internacional de Monumentos e Sítios, o Icomos, órgão consultivo da Unesco para o patrimônio cultural. A recomendação não representa a decisão definitiva. O Comitê do Patrimônio Mundial pode aprová-la, alterá-la, devolver a candidatura para ajustes ou adiar a análise.

A proposta original apresentada pelo Brasil tem o número 1774 e inclui dois componentes: o Theatro da Paz, com área principal de 6,73 hectares e zona de proteção de 73,57 hectares; e o Teatro Amazonas, com 2,11 hectares e área de entorno de 80,19 hectares.

Candidatura foi oficializada em 2025

O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, o Iphan, oficializou a candidatura conjunta em janeiro de 2025. A proposta classificou os dois monumentos como um bem cultural seriado, ou seja, formado por construções localizadas em cidades diferentes, mas conectadas por características históricas, arquitetônicas e culturais.

Os teatros foram erguidos no final do século XIX, em um período de intensa circulação de riquezas, materiais, artistas e referências europeias na Amazônia. O Theatro da Paz foi inaugurado em 1878, enquanto o Teatro Amazonas abriu as portas em 1896. Os dois são tombados pelo Iphan: o monumento paraense desde 1963 e o amazonense desde 1966.

O reconhecimento como Patrimônio Mundial indica que determinado bem possui valor considerado excepcional não apenas para o país onde está localizado, mas para toda a humanidade. A inscrição amplia a visibilidade internacional e exige compromissos permanentes de preservação, monitoramento e gestão.

A decisão final deve ser conhecida até o encerramento da análise das candidaturas culturais, durante a sessão que segue até 29 de julho.

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