Apoiadores do Dr Daniel recebem spray de pimenta na cara e são agredidos por tropas da PM enquanto abasteciam para carreata. Foto: VídeoReprodução
Por Aldenor Júnior
O clima esquentou na disputa eleitoral no Pará. As máquinas que se digladiam nas redes e nos palanques avançaram uma casa e ameaçam transformar o pleito em uma batalha de gangues de rua.
O cenário do conflito foi a conflagrada Ananindeua, uma espécie de Faixa de Gaza na qual combatem tropas azuis e laranja, cada qual utilizando as armas que têm a seu dispor.
No caso específico, a confusão se deu num posto de gasolina, na noite de ontem, 5, quando correligionários do Dr Daniel se preparavam para encher o tanque para uma carreata convoca da para este domingo. Tudo ia bem até que guarnições da PM chegaram e se iniciou a confusão.
A alegação da PM é que se tratava de abastecimento irregular, por mais que candidatos da coligação do ex-prefeito de Ananindeua tenham se apresentado como responsáveis pelo abastecimento. De nada adiantou a explicação. As tropas tinham ordens (de quem? Não se sabe) para empastelar a ação dos simpatizantes do candidato oposicionista e recolher provas do suposto ilícito. No tumulto que se seguiu, sobrou truculência à rodo, como é de costume.
Ainda não há elementos que comprovem as irregularidades alegadas. O TRE exige uma série de comprovações – comunicação prévia, contabilização do volume de combustível comprado e identificação da placa de todos os veículos abastecidos – para, certamente, cruzar esses dados com a prestação de contas dos candidatos.
Então, o que justifica a mobilização de uma tropa tão numerosa?
A mando de quem os PMs agiram?
Houve ou não denúncia ao TRE, a quem efetivamente cabe fiscalizar ações eleitorais?
A resposta do candidato oposicionista foi imediata. Denunciou a “ditadura” e cobrou apuração dos abusos.
De qualquer forma e mesmo antes de se ter a versão oficial dos policiais, salta aos olhos a seletividade da operação.
Afinal, em quase todos os municípios o que se vê é um espetáculo de abuso do poder econômico e político, com carreatas gigantescas promovidas pelo trio ternura Hana, Helder e Chicão, mobilizando mundos e fundos (públicos, talvez) e nada, absolutamente nada, acontece.
O detalhe mais que relevante é que Hana está sentada na cadeira de governadora e é simultaneamente comandante em chefe da PM, cujas tropas só tem olhos para as movimentações (quem sabe também ilegais) da oposição.
Parece que o Pará regrediu aos tempos do Baratismo, onde se cunhou a expressão de que a lei era potoca. Para os amigos do rei, é claro.
Aldenor Junior é jornalista.








