Renam Santos, do Missão, parece bizarro, mas deve ser levado a sério – Foto: reprodução
Por Aldenor Junior
Que tal acabar com o maior programa de transferência de renda vigente no Brasil, o Bolsa Família, sob a furada alegação de que as quase 50 milhões de pessoas seriam portadoras de uma preguiça ancestral que marcaria a população de pobres desde sempre?
Que tal, pura e simplesmente, “acabar” com as favelas? Afinal, para uma mente perturbada como a desses fascistoides, o crime se aloja nos territórios periféricos e não na Faria Lima e nos condomínios de luxo.
Que tal decretar o fim das cotas nas universidades, acabando com a “discriminação” à população branca?
Não se deve entender esse pacote de atrocidades como mera insanidade política ou de uma espetacularização de um reacionarismo patológico.
Renan e seu micro partido (nascido do nefasto MBL) encarnam uma onda ultra conservadora que está longe de perder força. Ao contrário, infelizmente, esses “líderes” anti-sistema (péssimo conceito pois eles são o próprio Sistema) estão avançando nas eleições mundo afora, particularmente na América do Sul.
Renan Santos é um jovem canalha, da pior espécie. Sua pregação ainda está restrita a um nicho pequeno, mas nada impede que circunstâncias muito particulares acabem inflando sua nau de insensata e muitíssimo perigosa para a frágil e assimétrica democracia brasileira.
As pesquisas já o colocam em terceiro ou quarto lugar na corrida presidencial, em empate técnico com figuras do campo conservador com muito mais estrutura e trajetória, como Caiado e Zema.
Pior: a grande mídia comercial o trata com deferência, conferindo um verniz palatável para as propostas absurdas que esse nazi-fascista apresenta a título de um suposto programa de governo. Ora, essas proposições são inconstitucionais e deveriam ser imediatamente criminalizadas.
Ou será vamos esperar que esse ovo da serpente seja chocado à sombra e exploda em violência, como resultado de um projeto intrinsicamente autocrático e fundamentalista?
Com a palavra, em pouco mais de 70 dias, sua excelência o eleitor brasileiro.
Aldenor Junior é jornalista








