Troca de acusações graves agita partido de Bolsonaro às vésperas da convenção. 

Por Aldenor Junior

Vejamos os ingredientes dessa ópera bufa: três parlamentares do PL se digladiam com inusitada violência nas redes sociais.

“Corrupto, frouxo, bandido, ladrão de emendas da saúde, direita do Barbalho, mentiroso, melancia” e por aí vai ladeira a abaixo a sucessão de achincalhes trocados entre si pelos parlamentares bolsonaristas Zezinho Lima e Mayky Vilaça, vereadores da capital, e o deputado federal e pré-candidato ao Senado, Éder Mauro.

Diga-se, a propósito, que a linguagem violenta partindo deles não é nada inusual ou inédita. É com esse linguajar chulo e desclassificado que tratam seus adversários. O ineditismo é o fato de que, agora, estejam expondo suas armas em público numa guerra suja e fraticida.

O que há de verdade nas denúncias ainda é cedo para afirmar. Há uma boa chance de que estejam falando a verdade apenas quando se atacam e mentindo descaradamente quando buscam encontrar uma narrativa de defesa.

O caso foi denunciado por Zezinho, um sujeito conhecido pelo caráter burlesco e histriônico, que circula nas ruas portando um falso porrete para agredir seus inimigos – uma vasta área que abrange desde a esquerda e os movimentos sociais e atinge segmentos vulneráveis como moradores em situação de rua – apresentou denúncia junto à PF e à PGR, em Brasília, supostamente contendo provas robustas de crimes cometidos por Éder Mauro e por seu colega de bancada, Mayky Vilaça.

Por sua parte, o outro polo da confrontação afirma que tudo não passa de fraude e de depoimento comprado a mando do clã Barbalho.

Não se trata de coisa qualquer. Fala-se em milhões desviados de emendas parlamentares e do uso de assessores lotados na Câmara Municipal para ocultar a fortuna desviada.

Cabe ao MPF e à PF separarem o joio do trigo.

A única coisa certa é que o discurso de falsa moralidade empunhado por aqueles que se vangloriavam de integrar o núcleo do Bolsonarismo raiz no Pará sairá irremediavelmente arranhado desse episódio de vale tudo na lama. Aliás, ambiente no qual essa espécie de político navega com inquestionável destreza.

Aldenor Junior é jornalista.

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