Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante convenção Federação Brasil da Esperança, São Paulo – SP. Foto: Ricardo Stuckert
Por Aldenor Junior
Sai de cena o Lulinha Paz e Amor, personagem que construiu toda sua longa trajetória mesclando doses equilibradas de conciliação e radicalismo controlado. Entrará em cena, no próximo mandato, um líder capaz de resgatar suas origens populares e enfrentar – finalmente – o sistema, apostando no caráter disruptivo para enfrentar o ascensão da extrema direita mundial?
É, quem sabe, venha por aí um tal Lulinha Porreta, como prometido na Convenção Nacional do PT, realizada ontem, em São Paulo.
Os sinais, porém, são contraditórios. Enquanto acena para a esquerda, marcando suas promessas com pitadas anti-sistema, na seara econômica a mensagem possui sinais trocados.
Lula afirmou não querer ser conhecido apenas como o Pai do Bolsa Familia – o que num país imoralmente desigual não é pouca coisa. Ele afirmou querer ir além e para chegar lá sinaliza com um enfrentamento mais decidido contra o sistema, vale dizer, os 1% que concentra 1/3 da riqueza nacional, que também responde pelos nomes de Faria Lima e seus cães ferozes e gulosos do Centrão.
Mas, nos bastidores, o velho líder autoriza seus tecnocratas da área econômica a tranquilizar o mercado, sugerindo que o próximo mandato possa ser ainda mais ousado nos cortes dos gastos públicos, o que significa sacrificar os mais pobres e continuar frustrando a classe média no altar do austericídio.
Lógico que a conta não fecha. Como diz o ditado, calça de veludo ou bumbum de fora. O tempo do reformismo brando parece ter chegado ao fim.
Aldenor Junior é jornalista.








