Fotos: Luciana Medeiros
Premiada no Edital de Ocupação do Centro Cultural Banco da Amazônia (CCBA), a exposição Fluxos, do fotógrafo, educador e pesquisador Miguel Chikaoka deu início a seu processo criativo e colaborativo neste final de semana, meses antes de sua abertura ao público, marcada para o dia 29 de outubro, na Galeria 3 do Centro Cultural Banco da Amazônia, em Belém.
Nesta etapa de criação, o projeto percorrerá quintais urbanos e sítios até o inicio do mês de setembro. Em cada território, anfitriões, familiares e seus convidados participarão de experiências que, reunidas, constituirão um dos ambientes da exposição.
O primeiro desses encontros, neste último sábado (1º), funcionou como um projeto piloto, no quintal da Kamara Kó Galeria, em Belém. Nesta quarta-feira, 5 de agosto, a ação inicia oficialmente a itinerância pelos quintais, no município-ilha de Colares.
Na primeira experiência, os participantes convidados pelo anfitrião do quintal, o próprio Miguel Chikaoka, a experimentar o Tatakizomé, técnica japonesa de impressão botânica que utiliza folhas, flores e outros elementos vegetais para transferir seus pigmentos naturais ao tecido por meio de batidas.
A experiência começou com a coleta de folhas e plantas presentes no quintal do próprio Chikaoka. A partir delas, os participantes observaram as espécies, compartilharam memórias e produziram coletivamente os primeiros elementos da exposição. Ao todo, além deste piloto, serão percorridos mais 6 quintais.
Patrocinada pelo Banco da Amazônia, a exposição integra arte, educação, natureza e participação comunitária em uma proposta que rompe com os formatos tradicionais de exposição. “Receber Fluxos no Centro Cultural Banco da Amazônia reafirma o compromisso da instituição com projetos que ampliam o acesso à arte, estimulam a reflexão e valorizam a produção cultural da Amazônia.
Para o Banco da Amazônia, é uma satisfação apoiar uma iniciativa que fortalece a cultura como instrumento de encontro, educação e desenvolvimento humano”, diz Ana Amélia Fadul, gerente do Centro Cultural Banco da Amazônia.
Convidados e público
As atividades são realizadas e seus resultados serão compartilhados com o público na exposição. Os tecidos produzidos, os registros audiovisuais, os relatos, os desenhos e as reflexões surgidas ao longo do percurso passarão a integrar Fluxos, incorporando ao espaço expositivo não apenas objetos, mas também os processos que lhes deram origem.
“Vocês não são meros participantes. Na verdade, estou integrando, a partir de agora, vocês que estão na exposição comigo”, afirmou Miguel Chikaoka ao encerrar a roda de conversa realizada após a atividade.
A proposta sintetiza um pensamento que o fotógrafo vem desenvolvendo ao longo de décadas de atuação como educador. Para ele, a fotografia ultrapassa a produção de imagens e se transforma em instrumento de construção de conhecimento, de convivência e de percepção do mundo.
“A fotografia foi só um barco que passou e eu embarquei nele. Depois peguei uma canoa, agora estou nadando”, disse Miguel, ao explicar que a ideia dos fluxos nasce da compreensão de que tudo está em permanente transformação. “Viemos de um fluxo, somos um fluxo, estamos em um fluxo e iremos com os fluxos”.
Nos fluxos da luz – Segundo o artista, essa concepção ganhou força durante a pandemia e passou a orientar sua prática pedagógica e artística. Isso ultrapassou o conceito expositivo de fotografia, passando a representar também uma escolha de vida e um posicionamento diante do mundo, valorizando os encontros, a criação compartilhada e a reconstrução dos vínculos entre pessoas, natureza e conhecimento.
A roda de conversa reuniu colaboradores, artistas, pesquisadores e antigos participantes das ações conduzidas por Chikaoka desde a criação da Associação Fotoativa, nos anos 1980. Em comum, os depoimentos reforçaram o impacto de sua trajetória como formador de gerações.
A artista e pesquisadora Nathalia Almeida afirmou que encontrou, no trabalho de Miguel Chikaoka, uma compreensão da fotografia que vai muito além da produção de imagens, propondo novas formas de pensar e habitar o mundo. Já a fotógrafa Ana Catarina de Brito definiu Miguel como “um educador antes de um fotógrafo”, ressaltando que seu trabalho sempre esteve voltado para despertar o olhar das pessoas, muito além dos aspectos técnicos da fotografia.
Coordenadora do projeto, Makiko Akao lembrou que Fluxos representa um momento singular na trajetória de Miguel Chikaoka, apresentando uma síntese de sua pesquisa mais recente, marcada pelos processos colaborativos e por aquilo que o artista denomina de Pedagogia dos Fluxos. Na equipe, entre outros profissionais, o projeto conta com curadoria de Alexandre Sequeira e pesquisa de Marisa Mokarzel.
Próximos encontros – O próximo encontro de quintal será realizado no dia 5 de agosto, em Colares, município-ilha localizado no nordeste paraense. Na sequência, as ações passarão ainda por Joanes, Ilha do Capim e outros quintais em Belém, reunindo moradores, convidados e colaboradores em experiências que darão origem a uma obra coletiva apresentada ao público a partir de outubro.
Para acompanhar o desenvolvimento da exposição e conhecer outras ações da Kamara Kó, o público pode acessar o perfil @kamarakogaleria no Instagram. Fluxos – Miguel Chikaoka. Patrocínio Banco da Amazônia e Governo Federal.








