Jovem estudante negra e quilombola, de Baião, no nordeste paraense, sofre agressões racistas nas redes sociais. Foto: Reprodução

Por Aldenor Junior

Reilene foi aclamada miss estudantil 2026.

É motivo de orgulho para sua comunidade de remanescentes de quilombolas, a Vila do Calado, no interior do município de Baião, nordeste paraense.

Entretanto, logo após sua consagração, eis que o esgoto das redes sociais foi aberto e de lá emergiu o vômito tóxico do racismo.

Os agressores, porque esse crime sempre é compartilhado por uma plateia de cúmplices, mais ou menos explícitos, a compararam a urubus e fizeram troça: “só falta avuar (sic)”.

Racismo é crime. Sua naturalização perpetua o que já vem de tão longe

Hoje, as redes sociais, são os novos navios negreiros?

Querem nos manter acorrentados a um modelo de branquitude que vem com gosto de açoite.

Oh, a Casa Grande não se cansa de violar os corpos e os espíritos de quem, através dos avós dos avós de seus avós, foram amputados de sua terra e lançados na travessia mortal do Atlântico.

Quem nos insulta e agride?

Serão brancos? Ou serão quase-brancos, quase-negros, espelho partido de uma nova Roma, Brasis?

Pouco importa. Seu racismo não tem a ver com biologia. Nasce como construção ideológica, para invadir a vida real com a mesma fúria insana que pesava e ainda tenta pesar seres humanos como objetos, meras mercadorias.

Reilene, não se deixe abater e nem amedrontar

Voe, mas voe bem alto, soberana, por sobre os destroços de uma sociedade que preserva monumentos à estupidez humana ao invés de celebrar a riqueza da diferença que nos torna humanos de verdade.

Aos seus detratores, esses imbecís que se imaginam protegidos atrás de tela de um celular, que recaiam as mais pesadas penas da lei.

Racismo não é opinião. É crime inafiançável e imprescritível.

Voe, voe, Reilene, soberana, sem limites, por sobre tanta sordidez.

É assim que celebramos a coragem dos avós de seus avós que, um dia, tiveram a ousadia de proclamar a liberdade no coração mesmo da floresta, fazendo-a abrigo, lar, casa ancestral e, por teus braços, promessa do futuro que vai chegar.

Alderno Junior é jornalista. 

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