Museu de Arte de Belém segue fora do organograma da Semcult; salas térreas devem ser abertas em 24 de setembro para receber mostra itinerante da Bienal de São Paulo. Foto: Salão Verde do Museu de Arte de Belém/Fumbel

Agosto chega ao fim sem a reabertura do Museu de Arte de Belém (MABE), como prometido pelo secretário municipal de Cultura, Michell Durans no início de agosto, em reunião com representantes do projeto Circular Campina Cidade Velha e da Associação Circular.

A previsão agora é que pelo menos as salas do térreo sejam reabertas em 24 de setembro, para receber uma mostra itinerante da Bienal de São Paulo, articulada pela técnica cultural Nina Matos no início de 2026, quando ela ainda respondia pela curadoria das mostras do museu. A informação foi divulgada pelo movimento “O MABE pede Socorro”.

A reabertura parcial não resolve o principal problema que afeta o MABE desde a “reforma administrativa” promovida por Igor Normando (PSDB), que extinguiu a Fundação Cultural do Município de Belém (Fumbel), e fez o MABE perder o status de departamento e, consequentemente, a estrutura funcional que possuía. O MABE segue fora do organograma da Semcult, em uma espécie de limbo administrativo.

A Secretaria argumenta que ainda não possui regimento interno e que precisa de tempo para estruturar o museu. A justificativa é questionada pelo movimento, que lembra que a extinção da Fumbel e a retirada da estrutura institucional do museu foram realizadas logo no início da atual gestão. A decisão foi tomada em fevereiro de 2025, por decreto – com autorização da maioria da Câmara Municipal, incluindo o agora secretário de Cultura – e sem diálogo com servidores, movimentos culturais e de preservação, além da população de Belém.

Diante do cenário de desestruturação e precariedade, seguem pendentes os pagamentos pelos serviços de montagem e pela participação de nove artistas mulheres paraenses em uma exposição realizada pelo MABE em maio de 2025. Enquanto o museu permanece sem estrutura administrativa própria, a gestão municipal adotou um arranjo mal-ajambrado: adquiriu insumos e destinou quatro profissionais ocupantes de cargos DAS.07, vinculados à Secretaria Municipal de Governo (Segov), para atuar no MABE.

O museu também continua sem poder utilizar integralmente seus próprios espaços. O miniauditório e o Ateliê Educativo permanecem ocupados pelo Gabinete do Prefeito, o que reduz justamente áreas destinadas às atividades educativas e culturais do museu.

A mobilização de artistas, trabalhadores da cultura e integrantes da sociedade civil permanece ativa e continuará acompanhando as decisões da Prefeitura até que o MABE volte a funcionar plenamente, com estrutura administrativa, equipe e condições para cumprir sua função de preservar e disponibilizar ao público o acervo artístico pertencente ao município.

Confira o post do movimento “O MABE pede Socorro”

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