Sindicato afirma que profissionais da educação estão expostos à insegurança e cobra do governo do Pará medidas de prevenção, assistência à professora e políticas de mediação de conflitos. Foto: Prefeitura de Cametá

O Sindicato das Trabalhadoras e Trabalhadores em Educação Pública do Pará (Sintepp) cobrou do governo do Estado e da Secretaria de Estado de Educação (Seduc) medidas efetivas de prevenção à violência nas escolas após uma professora ser esfaqueada por uma aluna dentro da Escola Estadual de Ensino Médio Dr. Gerson dos Santos Peres, em Cametá, no nordeste paraense.

O ataque ocorreu na noite de sexta-feira (11). A professora de matemática Betânia Almeida Prestes foi atingida nas costas por uma estudante do 3º ano do ensino médio dentro de uma sala de aula. Betânia foi socorrida e encaminhada para atendimento médico.

Após o ataque, funcionários da escola acionaram a Polícia Militar. A adolescente foi apreendida ainda na instituição e levada à Delegacia de Polícia Civil de Cametá. O Conselho Tutelar e a mãe da estudante também foram acionados.

Em nota divulgada após o episódio, o Sintepp manifestou solidariedade à professora, à família e à comunidade escolar e afirmou que o caso expõe um problema mais amplo enfrentado pelos trabalhadores da educação pública.

“Este lamentável fato não é um caso isolado, mas o reflexo alarmante da vulnerabilidade a que as e os profissionais da educação estão expostos diariamente”, afirma o sindicato.

Para o Sintepp, parte das salas de aula, que deveriam funcionar como espaços seguros de acolhimento, cidadania e conhecimento, tem se transformado em ambientes de medo e insegurança diante da ausência de políticas públicas eficazes de mediação de conflitos e prevenção à violência.

O Sintepp exige apuração rigorosa do ataque e assistência médica e psicológica contínua à professora e aos demais trabalhadores afetados pelo episódio, e também cobra ações do governo do Pará e da Seduc para garantir a integridade física e mental dos profissionais da educação e defende a implantação de uma política efetiva de prevenção e enfrentamento à violência no ambiente escolar.

O sindicato ressalta que não considera a adoção de escolas cívico-militares uma resposta adequada ao problema.

As reivindicações apresentadas pelo sindicato convergem com parte das recomendações adotadas nacionalmente para o enfrentamento da violência escolar. O programa Escola que Protege, do Ministério da Educação, orienta estados e municípios a criarem planos de prevenção e resposta, programas de mediação de conflitos, formação continuada dos trabalhadores da educação e articulação das escolas com as áreas de Saúde, Assistência Social e Segurança Pública.

O MEC também recomenda práticas restaurativas, escuta ativa e participação dos estudantes na construção da convivência escolar. A proposta é identificar conflitos e situações de sofrimento antes que eles evoluam para episódios de violência, além de estabelecer protocolos para atuação em casos graves.

O UNICEF segue orientação semelhante e defende que o enfrentamento à violência não seja responsabilidade exclusiva da escola, mas de uma rede de proteção que envolva educação, saúde, assistência social, Conselhos Tutelares, sistema de Justiça, famílias e comunidade.

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