É sabido que galãs de novela ocupam um lugar característico da heteronormatividade dentro do imaginário da população- e é daí que vem o seu sucesso. Com o ator Marco Pigossi não foi diferente. Durante os 12 anos em que trabalhou na TV Globo, recebeu o cobiçado “status”, protagonizando romances em novelas com atrizes como Carolina Dieckmann, Paolla Oliveira, Isis Valverde.
Porém, quando artistas na vida real não correspondem ao estereótipo construído pela imagem que vendem, isso pode causar diversos danos, como relatou Pigossi à Revista Piauí: “Passei a tomar antidepressivos e ansiolíticos”. O ator escondeu sua homossexualidade durante todos os anos em que trabalhou na emissora, com medo das portas se fecharem para a sua carreira.
Foi no ano de 2017, quando o caos político que estava destinado ao Brasil começou a se desenhar, que o artista decidiu não renovar seu contrato na Globo, assinando então com a Netflix. Em 2018, quando Bolsonaro chegou ao poder, Pigossi tomou a decisão que o fez libertar-se de seus medos: “Nesse contexto de 2018, as coisas ficaram mais pesadas (…). Bolsonaro dava voz aos racistas e homofóbicos, e eu estava escondido. (…) Ficar em silêncio, não me posicionar, não abrir o peito diante da trincheira foi deixando de ser uma possibilidade. (…). Bolsonaro trouxe uma onda de ódio inacreditável, mas o efeito colateral foi fortalecer todos nós, gays”, disse ele à Revista Piauí.
O ex-global também foi criado em lar homofóbico: “Eu fora criado em uma família, em uma realidade social em que se comentava não haver razão para celebrar o ‘dia do orgulho gay’ enquanto não houvesse o ‘dia do orgulho hétero’”, e relata que sentiu uma profunda dor quando soube que seu pai votou em Bolsonaro. Segundo ele, entre os dois nunca houve conversa sobre sua vida amorosa, e ele começou a compreender a questão do “orgulho gay” quando viu seu genitor votar num político que declarava publicamente preferir um filho morto do que gay, e que ser gay era resultado de “falta de porrada”. Em seu relato, o ator diz que a onda de homofobia gerada a partir da eleição de Bolsonaro, o encorajou a assumir-se publicamente. Ele e o pai falam-se apenas esporadicamente, o que não faz com que ele perca a esperança de que seu pai um dia possa aceitar o homossexualismo com “naturalidade”.
Hoje Pigossi se prepara para gravar a próxima temporada da série “Cidades Invisíveis”, e tem participado como produtor em documentários que retratam as realidades das comunidades LGBTQIAP+, como o CorPolítica, que acompanhou quatro candidatos a vereador assumidamente LGBTQIAP+ nas eleições brasileiras de 2020: Erika Hilton e William De Luca, de São Paulo, e Andréa Bak e Monica Benicio, do Rio de Janeiro. Considera-se numa satisfatória fase profissional, de coração refeito e feliz com seu companheiro, o cineasta italiano Marco Calvani, com quem vive a um ano e meio nos Estados Unidos. O casal assumiu seu relacionamento publicamente pela primeira vez no último feriado de Ação de Graças dos Estados Unidos- dia 25 de novembro, na conta de Marco no Instagram- postagem que foi em seguida replicada pelo ator brasileiro , aos seus mais de três milhões de seguidores. Pigossi diz ter recebido muito apoio desde então ,o que o faz sentir-se “invencível”.









[…] em 2018, assinando com a Netflix. Como mostramos aqui no Ponto de Pauta, ele estava em busca de assumir sua homossexualidade e para isso precisava fugir do estereótipo de galã imposto pelo contr…. A nova fase da carreira do ator anda agora de vento em popa, tendo atuado na série australiana […]
[…] em 2018, assinando com a Netflix. Como mostramos aqui no Ponto de Pauta, ele estava em busca de assumir sua homossexualidade e para isso precisava fugir do estereótipo de galã imposto pelo contr…. A nova fase da carreira do ator anda agora de vento em popa, tendo atuado na série australiana […]