Fiscalização do garimpo é destaque em entrevista de Lula à rádio Liberal

Por Ju Abe
 
A entrevista concedida por Lula ao grupo Liberal ontem, foi, como já era de se esperar, em sua maioria ocupada por questões já comuns nos encontros que o petista tem realizado com a imprensa Brasil afora: nome para vice na chapa, Lava-Jato, impeachment de Dilma Rousseff.
 
Insuficiente foi a ênfase à conjuntura local, não por falta de preparo do presidente e sua assessoria, mas talvez por um desinteresse dos entrevistadores às questões mais específicas de nossa região. Lula armou-se de dados sobre o Pará e a situação em que se encontra o nosso Estado em diversas áreas (por exemplo, citou que 62% da população do Pará está na informalidade), os quais tentou comentar em uns momentos e outros, porém a verdade é que foi pouco instigado a utiliza-los.

Entretanto, houveram sim, dois pontos que merecem ser destacados ao público paraense: a questão da preservação da Amazônia, e o diálogo entre Governo federal e governos estaduais e municipais, que o ex-presidente considera pontos importantes de seu Plano de Governo caso seja eleito, e fez questão de trazer pra dentro da conversa.

 Lula mostrou-se sensível às causas ambientais que colocam a Amazônia no centro da discussão internacional atualmente.

Segundo o presidenciável, o descaso com as políticas ambientais foram uma constante no governo Bolsonaro, destacando como exemplos o desaparelhamento do IBAMA e do ICMBIO, além de vários cortes nos orçamentos de órgãos de fiscalização.

“Vamos proteger as terras indígenas e não vai haver assalto de garimpo em terra indígena” disse ele referindo-se à questão da demarcação de terras indígenas.

Citou também a situação das águas poluídas pelo garimpo no Rio Tapajós, região de Santarém, fato que ele lamentou logo no início da entrevista e voltou a tocar no assunto ao ser perguntado sobre medidas voltadas à Amazônia: “vamos acabar coma poluição do rio Tapajós pelo garimpo”.

Lula deixou claro que entende a Amazônia como fonte de riqueza e trabalho sustentável para os povos da região, e citou medidas como “combinar a capacidade produtiva com a capacidade de preservação”, através de diálogos com especialistas nos assuntos e modernização dos setores industriais, além de saneamento básico para as populações urbanas: “melhorar a qualidade da água, realizar o tratamento da água do esgoto para devolver a água limpa pro rio”.

Outro ponto importante no que diz respeito à políticas de crescimento regional foi a consideração da importância do diálogo com prefeitos e governadores: “para governar eu preciso ser amigo de todos os prefeitos”, disse ele, enfatizando que pretende  ter um espaço reservado na Casa Civil para receber gestores locais e ouvir suas necessidades.

Ao ser perguntado sobre alianças no Pará para as eleições em outubro, Lula declarou que o PT pretende compor uma chapa de apoio à candidatura à reeleição do governador Helder Barbalho.

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