O pastor Arilton Moura Correia, envolvido no escândalo do suposto gabinete paralelo do Ministério da Educação (MEC), já exerceu o cargo de secretário estadual extraordinário de Integração de Ações Comunitárias, durante a gestão do ex-governador do Pará, Simão Jatene (sem partido). A informação é do Jornal Em Tempo, datada no dia 23 de março.
Ouro
No rol de denúncias contra o pastor, uma reportagem da Folha de S. Paulo publicada no dia 21 de março, revelou um áudio em que o ministro da Educação, pastor Milton Ribeiro, afirma que o governo prioriza prefeituras cujos pedidos de liberação de verba fossem negociadas pelos pastores Gilmar Silva dos Santos e Arilton Moura Correia. Na noite de 22 de março, o jornal O Estado de S. Paulo publicou reportagem em que o prefeito de Luis Domingues (MA), Gilberto Braga (PSDB), afirma que o pastor Arilton pediu 1 kg de ouro para liberar verbas de obras de educação para o município maranhense.
Trânsito livre no Planalto
Os dois pastores tinham trânsito livre, não apenas no MEC, como também no Palácio do Planalto. O pastor Arilton Moura Correia esteve 35 vezes no Palácio do Planalto desde o início do governo do presidente Jair Bolsonaro, enquanto o pastor Gilmar Silva dos Santos esteve outras 10 vezes no mesmo período. Os dois são investigados por atuarem como lobistas no Ministério da Educação.
Os dados foram divulgados nesta quinta-feira (14), pelo Gabinete de Segurança Institucional (GSI), um dia depois de O GLOBO revelar que o governo federal havia recusado um pedido para apresentar as informações. De acordo com o GSI, os dados foram liberados devido a uma “recente manifestação da Controladoria-Geral da União quanto à necessidade de atender o interesse público”.
A divulgação dos dados foi autorizada pelo presidente Jair Bolsonaro, após o ministro titular do GSI, Augusto Heleno, receber um alerta do ministro da Controladoria-Geral da União (CGU), Wagner Rosário, de que a tendência era o órgão determinar a divulgação dos dados.
Comissionado
Arilton Moura Correia já chegou a ser nomeado para um cargo comissionado na liderança do MDB na Câmara. Em 20 de maio de 2020, o religioso foi nomeado para o cargo de assistente técnico de gabinete adjunto do então líder do partido na Casa. O salário bruto mensal seria de cerca de R$ 5,5 mil.
Pouco mais de um mês depois, em 25 de junho de 2020, porém, a nomeação foi revogada. Segundo fontes ligadas ao MDB, Arilton não chegou a tomar posse no cargo de fato por ter se recusado a bater ponto. O pastor também aparece em registros do Tribunal Regional do Pará (TRE-PA) como presidente estadual do antigo PHS, incorporado pelo atual Podemos.
Secretário
Em 30 de maio de 2018, foi nomeado para o cargo de secretário estadual extraordinário de Integração de Ações Comunitárias pelo então governador do Pará Simão Jatene (PSDB), sendo exonerado do cargo em 1º de novembro do mesmo ano.
Foto: Luis Fortes/MEC








