O senador Zequinha Marinho (Podemos/PA) passou por uma situação, no mínimo, incômoda, em sua passagem no município de Novo Progresso, no sudoeste paraense. No último dia 15, o parlamentar esteve na cidade para participar do “Encontro Regional de Mobilização em Prol da Ferrogrão”, um projeto de linha férrea que pretende ligar Sinop (MT) ao Porto de Miritituba, em Itaituba (PA), com valor calculado em R$ 25 bilhões.

Acompanhado de uma equipe na qual se notam alguns outros parlamentares da direita extremista paraense, como o deputado federal Caveira (PL), o senador não contava com a recepção que teve, ao chegar no local em que ocorria o evento em apoio à construção da ferrovia.

Para receber a comitiva extremista, lá estavam cerca de 100 indígenas das etnias Munduruku, Apiaká e Kayapó, com cartazes de protesto pedindo revisão do projeto, que, caso concretizado, gerará impactos ambientais em territórios de pelo menos 16 etnias indígenas da região.

Entre os manifestantes estava a líder Alessandra Mundurucu, que enfrentou  o parlamentar, conhecido por defender causas que prejudicam terras indígenas, reservas ambientais e provocam danos ao ecossistema amazônico, como o garimpo . “Você é um evangélico, você acredita que Deus criou as terras, Deus criou as florestas, mas você veio pra destruir “, bradou a indígena ao parlamentar (assista ao vídeo ao final da matéria).

A Ferrogrão faz parte de um projeto de infraestrutura maior chamado Corredor Logístico Tapajós-Xingu, que inclui ainda a pavimentação da rodovia BR-163, hidrovias e a construção de terminais de carga. Dados da PUC-Rio e Climate Policy Initiative estimam que, caso não haja uma política de mitigação dos problemas derivados do projeto, pode haver perda equivalente a mais de 285 mil campos de futebol de vegetação natural — o que corresponde a emissão de mais de 75 milhões de toneladas de carbono.

Com informações de Agência Pública. 

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