Foto: CPERS
A insatisfação dos trabalhadores da educação no Pará chegou novamente ao limite. Em assembleia realizada na quinta-feira (25), no auditório do CCNT/UEPA, os servidores aprovaram uma greve de 48 horas, nesta terça (7) e quarta-feira (8), em protesto contra o que classificam como um conjunto de ataques do governo Helder Barbalho (MDB) à educação pública, especialmente à educação indígena, e à falta de cumprimento de acordos por parte da Secretaria de Estado de Educação (SEDUC). No dia 7, haverá ato público em frente à Casa Civil, a partir das 9h, e no dia 8, a manifestação será no Seducão.
A paralisação, convocada pelo SINTEPP (Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras em Educação Pública do Estado do Pará), tem caráter de advertência, mas sinaliza um novo ciclo de enfrentamento entre a categoria e o governo estadual. Entre as principais reclamações está o descumprimento do compromisso assumido pela SEDUC de publicar o calendário de reposição das aulas referentes às paralisações e à greve do início do ano. Segundo o sindicato, o governo chegou a garantir que os valores descontados seriam devolvidos, mas não apresentou encaminhamentos concretos às diretorias regionais de ensino (DREs) e às escolas.
Somente após o término da assembleia, já diante da aprovação da greve, a SEDUC entrou em contato com a coordenação do SINTEPP informando que publicaria o calendário ainda naquela tarde. A atitude foi interpretada por parte da categoria como uma tentativa tardia de conter a mobilização e um exemplo da falta de diálogo institucional que marca a atual gestão da educação estadual.
Outro ponto de tensão é o projeto de lei que revoga o artigo da Lei do Sistema de Organização Modular de Ensino (SOME), afetando diretamente o SOME Indígena (SOMEI), modelo que garante a oferta de ensino em comunidades indígenas. Para os educadores, a medida representa um retrocesso e uma ameaça à autonomia dos povos indígenas na formulação de suas políticas educacionais. O sindicato anunciou que irá se unir às organizações indígenas na luta contra o que chamam de “golpe do Helder” contra a educação pública e os direitos conquistados.








