Foto: Marcos Hermes/Divulgação

Nesta quarta-feira, 19, o Theatro da Paz recebe o Amazônia Motirô. Em duas sessões, às 18h e 20h30, o espetáculo traduz em corpo, som e imagem ressignificando o sentido de coletividade, por meio da arte. Apoio do Banpará e Governo do Estado. Os ingressos estão disponíveis pela Ticket Fácil.

Idealizado e dirigido pela coreógrafa Ana Unger, o espetáculo “Amazônia Motirô” é uma criação da Cia. de Dança Ana Unger, especialmente concebida para a COP 30, como uma celebração da arte, da floresta e das conexões humanas.

Em tupi, a palavra motirô significa mutirão. Não à toa é este o sentido do espetáculo, que reúne 40 bailarinos e grandes parcerias construídas pela Cia Ana Unger ao longo de décadas. A trilha sonora original é assinada por Thiago D’Albuquerque, executada pela Orquestra Sinfônica do Theatro da Paz, regida pelo maestro Miguel Campos Melo.

Na encenação estão convidados, entre eles o percussionista Kleber Benigno (Trio Manari), que interpreta um sábio indígena. Os cenários virtuais têm criação de Roberta Carvalho e, os figurinos, assinados por Jacque Carvalho, que utilizou materiais recicláveis e adereços de comunidades indígenas.

“Foram utilizados materiais descartáveis como plásticos, redes de pesca, restos de malha e escamas de pirarucu. Cerca de 70% do figurino é reaproveitamento. É o trabalho de arte com sustentabilidade”, explica Jacque Carvalho.

Os adereços das comunidades indígenas foram trabalhados para reconectar vestimentas sagradas ao espetáculo contemporâneo por meio de escolhas rigorosas, com muito cuidado. “Tudo é sagrado, territórios, rituais, vestimentas de pajés, xamãs, das filhas dos pajés. O figurino foi feito com respeito à ancestralidade, realizado de maneira não folclórica, longe dos estereótipos”, explica a figurinista.

Trilha sonora executada ao vivo
Para o compositor Thiago D’Albuquerque, a inspiração veio da urgência de falar sobre o cuidado com o meio ambiente. “A gente quer provocar uma reflexão sobre os lixos jogados nos rios, mares e lagos. Precisamos fazer esse mutirão para limpar, mas também para conscientizar as pessoas a não sujarem a natureza”, explica.

Thiago, que já trabalhou com Ana Unger em criações anteriores, entre elas Paraíso Verde e Árvores que Tocam, constrói em Amazônia Motirô uma trilha que mistura sons naturais da floresta, cantos indígenas e a cadência contagiante do carimbó, compondo uma paisagem sonora que dialoga com as raízes amazônicas. “Quero deixar um legado de músicas que valorizem a Amazônia, nossa sonoridade e nossa floresta. Essa obra cabe perfeitamente nesse propósito”, completa o compositor.

A trilha, segundo ele, é uma experiência imersiva que aproxima o público da natureza. “Desde o som dos pássaros até o ritmo suingado do carimbó, a plateia vai sentir a floresta de perto, guiada pela música e pela força da orquestra.”

Para o maestro Miguel Campos Neto, a criação de obras contemporâneas é parte essencial da missão de um artista. “A minha atuação teria uma lacuna se eu trabalhasse apenas com os grandes mestres do passado. É fundamental descobrir, criar e trabalhar com os compositores e coreógrafos do presente. Todas as obras consagradas já foram contemporâneas e nós estamos criando os clássicos do futuro”, reflete.

Miguel ressalta o processo de integração entre as linguagens como elemento-chave da montagem. “O segredo está na união entre os artistas. Coreógrafa, bailarinas, compositor, orquestrador e regente precisam dialogar e criar juntos. A música existe em função da dança, e a dança existe por causa da música. Nenhum desses elementos se sustenta sozinho.”

Imagem, corpo e ancestralidade
O espetáculo também nasce de uma rede de parcerias artísticas que ultrapassa a cena. O fotógrafo Marcos Hermes, um dos mais reconhecidos do país — com trabalhos para nomes como Gilberto Gil, Milton Nascimento e Caetano Veloso, assina o ensaio visual de Amazônia Mo​tirô, realizado recentemente em Belém.

“Na verdade, comecei esse diálogo com a Ana Unger em 2024, quando viajamos por lugares muito especiais do Pará para criar as primeiras imagens do espetáculo”, conta Hermes. “Foi uma troca muito original, nesse lugar da liberdade criativa, do entendimento do que é a imagem da Amazônia.”

Com trajetória marcada pela fotografia de movimento e pela conexão entre música, corpo e emoção, Marcos Hermes reconhece no projeto o reflexo de sua própria linguagem. “O diálogo principal entre a fotografia e a performance está no DNA do meu trabalho, muito baseado no movimento, na diversidade e no respeito pela ancestralidade. Tento traduzir isso de uma forma contemporânea e honesta”, diz o fotógrafo.

Hermes reforça ainda seu vínculo afetivo com a região. “Tenho uma relação muito especial com Belém desde 2008. Trabalhar com os paraenses é sempre uma honra. Espero que esse projeto gere novas parcerias e oportunidades, sempre com essa forma honesta de me expressar através da fotografia.”

Com Amazônia Motirô, Ana Unger reafirma sua trajetória de construção de um corpo amazônico, híbrido entre a disciplina do balé e a espontaneidade dos ritmos populares, como o carimbó e o boi-bumbá.

Sua companhia nasceu, no Pará, do desejo de formar e dar palco a bailarinos da região metropolitana de Belém, ampliando horizontes e revelando talentos de todo o estado. “Cada espetáculo é um encontro de saberes. Motirô é sobre o que somos quando nos reunimos para criar, é o poder da coletividade que move a arte”, resume Ana.

Serviço
Espetáculo: Amazônia Motirô
Data: 19 de novembro de 2025 (quarta-feira)
Sessões: 18h e 20h30
Local: Theatro da Paz – Belém (PA)
Duração: 1h
Ingressos: Ticket Fácil e bilheteria do teatro
Realização: Cia. de Dança Ana Unger
Apoio cultural: Banpará e Governo do Estado do Pará

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