Moradores registraram tratores e caminhões na área de proteção integral nesta terça-feira (5). Foto: Reprodução/@ativismo_ambiental_gape
Moradores e defensores do Parque Ecológico Municipal Gunnar Vingren, no bairro da Marambaia, em Belém, denunciaram, nesta terça-feira (5), a entrada de tratores e caminhões na área de proteção integral. Segundo eles, as máquinas estariam derrubando árvores centenárias para a instalação de um ecoponto na região, o que pode configurar crime ambiental.
A denúncia ocorre poucos dias após uma decisão judicial, assinada em 30 de abril de 2026, determinar a suspensão imediata de qualquer obra, intervenção, supressão vegetal ou passagem de solo no interior e nos limites do Parque Ambiental Gunnar Vingren, também conhecido como Parque Ecológico do Médici.
A decisão foi proferida no âmbito de uma Ação Civil Pública movida pela Associação de Moradores do Conjunto Médici II (AMME) e pelo Ministério Público do Estado do Pará. O processo tem como réu o Estado do Pará. O Município de Belém chegou a ingressar como coautor da ação em 2024, durante a gestão do ex-prefeito Edmilson Rodrigues, mas posteriormente se retirou.
A nova denúncia dos moradores aponta para um possível descumprimento da ordem judicial. De um lado, o governo de Hana Ghassan é citado diretamente na decisão, por meio da Secretaria de Estado de Obras Públicas (Seop), responsável por cumprir a determinação de suspensão imediata. De outro, a Prefeitura de Belém, comandada por Igor Normando (MDB), deve ser cobrada por permitir que a intervenção avance em uma unidade de conservação municipal, sem impedir a continuidade dos danos ambientais denunciados pela comunidade.
Na decisão, a Justiça determinou a suspensão de qualquer obra, intervenção, supressão vegetal ou passagem de solo no interior e nos limites do Parque Gunnar Vingren, especialmente na área da Marinha e na Avenida Independência, em Belém. O texto também prevê multa diária em caso de descumprimento. Também foi determinado que o Município de Belém apresente esclarecimentos sobre as licenças ambientais vigentes, os estudos de impacto, a viabilidade da intervenção e a relação da obra com os limites oficiais do parque.
Uma audiência de conciliação e saneamento foi marcada para o dia 14 de maio de 2026, às 10h. Na ocasião, devem ser discutidos os próximos passos do processo, incluindo a possibilidade de realização de perícia técnica no local e tentativa de acordo entre as partes.
Até lá, a decisão judicial deve ser cumprida integralmente, e qualquer intervenção no Parque Gunnar Vingren deve ser imediatamente paralisada. O avanço das máquinas em uma área de proteção integral, após ordem expressa da Justiça, demonstra o desprezo do poder público pela preservação das áreas verdes e o desrespeito à própria Justiça.
Parque Gunnar Vingren sob ameaça
O Parque Ecológico do Município de Belém “Gunnar Vingren” é uma área de proteção integral, criada em 1991, e tem importância ambiental para a capital paraense. Localizado entre os conjuntos habitacionais Presidente Médici e Bela Vista, entre os bairros de Val-de-Cans e Marambaia, o parque vem sendo alvo recorrente de pressões, intervenções irregulares e crimes contra a natureza.
Em 2024, durante a gestão do ex-prefeito Edmilson Rodrigues, a Prefeitura de Belém finalizou o memorial descritivo do parque, após um extenso diagnóstico ambiental que analisou aspectos físicos, biológicos e socioeconômicos da área. No mesmo ano, o município chegou a negar licença para a destruição de parte da área verde sob a justificativa das obras da Rua da Marinha, decisão que foi revertida na atual gestão.








