Governador Helder Barbalho no leilão de privatização da Cosanpa, em abril deste ano. Foto: Reprodução

Nem mesmo no Natal as famílias paraenses foram poupadas do drama da falta de água. Entre a véspera, no dia 24 de dezembro, e o próprio dia 25, moradores de diversos bairros de Belém, Ananindeua e Marabá relataram interrupções prolongadas no abastecimento, em alguns casos por mais de 48 e até 72 horas, em pleno período de festas.

O sistema de abastecimento de água foi privatizado pelo govenador Helder Barbalho (MDB) nesta ano, com a promessa de mais investimentos e melhoria no sistema, mas desde então, o que já era ruim – por consequência do sucateamento da Cosanpa – tem ficado pior.

Usuários indignados descreveram nas redes sociais a dificuldade para realizar tarefas básicas como cozinhar a ceia, tomar banho, limpar a casa ou cuidar de crianças, idosos e pessoas doentes. “Passamos a véspera e agora o Natal sem água”, “terceiro dia seguido sem uma gota na torneira” e “acabaram com o nosso Natal” foram algumas das frases repetidas.

Entre os bairros estão Pedreira, além de Sacramenta, Telégrafo, Marco, Barreiro, Cremação, Guamá, Umarizal, Marambaia, Jurunas, São Brás, Vila da Barca, Coqueiro (conjunto Pedro Teixeira), Agulha e Tapanã, em Belém. Na Região Metropolitana, moradores de Atalaia, Jaderlândia e Cidade Nova, em Ananindeua, também denunciaram falta d’água. No interior, houve queixas recorrentes em Marabá, especialmente na Nova Marabá, além de menções a Dom Eliseu e Portel.

Avisos oficiais e alcance maior que o informado

Durante o período natalino, a Águas do Pará divulgou comunicados informando sobre falhas eletromecânicas em bombas, e a necessidade de suspensões temporárias no abastecimento para a realização de manutenção em bairros de Marabá e Belém.

Apesar dos comunicados, as reclamações indicam que a falta de água foi mais ampla e duradoura do que o informado oficialmente, atingindo bairros não citados nos avisos e se estendendo pelo dia de Natal e, em alguns locais, até o dia 26 de dezembro.

Sistema antigo e promessa de investimentos

No comunicado, a Águas do Pará afirmou que assumiu a operação em Belém em setembro e que o sistema existente é antigo, demandando investimentos que seriam realizados gradativamente. A empresa lamentou o ocorrido e reafirmou compromisso com a melhoria do abastecimento.

Para quem passou o Natal com baldes, garrafas e torneiras secas, porém, a justificativa não ameniza o impacto. Em uma das épocas mais simbólicas do ano, marcada por encontros familiares e celebração, milhares de paraenses viveram um Natal sem água; um retrato do colapso de um serviço essencial que, para muitos, já virou rotina.

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