Ministro Dias Toffoli – Foto: Rosinei Coutinho/STF
Por Aldenor Junior
A expressão vem do passado colonial, no tempo em que se guardava tesouros em botijas (vasos de barro de boca estreita). Ser pego com a “boca na botija” significava algo como ser apanhado roubando, no ato de pilhar coisa alheia. Pois bem, o ministro Dias Toffoli desde a noite de ontem, 11, vive situação semelhante. Flagrado em mais de 200 páginas de transcrições extraídas do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, o ministro mais enrolado do STF teve de admitir que ele próprio era “sócio” do tal resort financiado pelo Banco Master. “Sócio oculto”, óbvio. A questão é saber o motivo da operação patrimonial encoberta e se este fato tem relação com as muitas trapalhadas que Toffoli realiza à frente de um caso em que, desde o primeiro dia, deveria ter se julgado suspeito.
Todo mundo sabia que o celular de Vorcaro guardava segredos inconfessáveis. Todo mundo antevia que as placas tectônicas de Brasília tremeriam diante da revelação desses segredos de alcova. Por isso, talvez, Toffoli tenha tentado manter o aparelho longe dos olhares curiosos e atentos dos delegados da PF. Só que era uma missão impossível e as manobras desastradas só aumentaram a pressão sobre o STF.
O que vai acontecer a seguir? Quantos figurões (com e sem mandato) cairão na rede das investigações que decorrerão do Iphone mais temido da República? Ninguém sabe ao certo, mas o abalo sísmico deve tirar o sono de muita gente, especialmente dos cardeais do Centrão (sempre ele, lógico).
Não há como hesitar: que esse escândalo sirva para separar o joio do trigo. Não há espaço para um novo e gigantesco pacto da impunidade.
A sociedade civil, que ainda está sonolenta, precisa despertar e fazer valer sua voz. A oportunidade de sanear, pelo menos em parte, dutos gigantescos da corrupção está diante de todos. Resta saber se será aproveitada para aprimorar os mecanismos de controle democrático ou servirão para alimentar a sanha golpista, esta mesma que está à espreita, armada e perigosa, como sempre esteve.
Aldenor Junior é jornalista








