Foto: divulgação/

Por Aldenor Junior

Aconteceu na UFPA. Diante do olhar atônito dos estudantes. Uma professora determinou que uma jovem mãe quilombola se retirasse da classe junto ao seu bebê de poucos meses sob a alegação de que estaria atrapalhando a aula. O estupor, o espanto, a humilhação ocuparam o espaço que deveria ser o da livre circulação de ideias e da construção coletiva do conhecimento.

Educação sem empatia?

Pedagogia da chibata?

Tudo junto e misturado, com certeza.

Só que o tempo do Pelourinho ali em frente à Igreja das Mercês, na rua da Praia, já acabou. Ou, pelo menos, deveria ter acabado há 138 anos.

A revolta dos estudantes não tardou. Mexeu com uma, mexeu com todas, todos e todes (como se diz, neste século XXI onde a liberdade segue como um horizonte a ser conquistado).

Que sirva de lição. Educar exige muito mais que títulos acadêmicos. Solidariedade, bom senso, diálogo construído de baixo para cima, não podem virar frases de efeito, sem alma, sem paixão.

A UFPA, essa usina de conhecimento e território cada vez mais popular, tem o dever de aprender com esse tipo de incidente. Para emergir mais forte e mais crítica, lugar a ser fortalecido como parte da grande malha da resistência contra a barbárie.

Aldenor Junior é jornalista

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