Professora Luísa Farias  – Foto: reprodução/Sintepp Tailândia

Entidade aponta irregularidades em processo administrativo e pede anulação da portaria; professora, mãe atípica e solo, afirma que seguirá lutando pela educação pública 

O Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Tailândia (SINTEPP) publicou, no último dia 16, uma nota de repúdio à exoneração da professora Maria Luísa Ferreira Farias, efetivada por meio da Portaria nº 081, de 15 de abril de 2026, sob responsabilidade da Prefeitura Municipal de Tailândia, na gestão do prefeito Lauro Hoffmann (MDB).

A professora, que atua há quase duas décadas na rede pública municipal como professora de português, foi exonerada de seus dois vínculos empregatícios após um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) cuja condução, segundo o sindicato, levantou sérias suspeitas de parcialidade e ausência de provas robustas. A entidade classifica a penalidade como a mais grave prevista a um servidor público e questiona a observância dos princípios constitucionais da ampla defesa, do contraditório e do devido processo legal.

“Não há, até o momento, comprovação inequívoca das acusações que justificariam uma medida tão extrema”, destaca trecho da nota.

De acordo com o SINTEPP, Luiza Farias, que já atuou como coordenadora do sindicato, vinha denunciando problemas estruturais na rede municipal, como condições inadequadas de funcionamento das escolas, falta de suporte a alunos com deficiência e questionamentos sobre a aplicação de recursos públicos. Para a entidade, a coincidência entre sua atuação firme na defesa da educação e sua exoneração indica “possível utilização de mecanismos administrativos como forma de retaliação”.

A situação ganha contornos ainda mais graves porque a professora é mãe atípica e solo, responsável exclusiva pelo sustento da família. O sindicato alerta para os impactos sociais de uma medida que atinge diretamente sua subsistência e a de seus dependentes.

“Seguirei firme”, afirma professora

Através de uma nota de esclarecimentos, publicada em suas redes sociais neste domingo (19), a professora afirmou que não será silenciada:

“Mesmo diante de tanta perseguição, seguirei firme defendendo e denunciando o que precisa ser denunciado. Seguirei trabalhando gratuitamente no Cursinho Popular Ubuntu e com o projeto de aulas de Libras na EETEPA, pois sabemos que só a educação transforma a sociedade num lugar mais digno de se viver. A luta continuará na esfera jurídica e, mais cedo ou mais tarde, essa injustiça será revista!”

Próximos passos

O SINTEPP exige a imediata anulação da Portaria nº 081/2026 e a revisão dos atos administrativos à luz da legislação. A entidade afirma que acompanhará os desdobramentos do caso, especialmente no âmbito judicial, e reafirma seu compromisso com a defesa dos trabalhadores da educação.

“Nenhum trabalhador deve ser punido por exercer seu direito de manifestação”, conclui a nota.

Com informações do SINTEPP Tailândia-PA

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