Foto: Celso Lobo (AID/ALEPA)
A deputada estadual Lívia Duarte (PSOL) voltou a cobrar da governadora do Pará, Hana Ghassan, a retirada de tropas militares que fazem cerco à ocupação de trabalhadores sem-terra em área pública designada à reforma agrária, pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), em Marabá.
Em pronunciamento na tribuna da Assembleia Legislativa do Pará, nesta terça-feira, 5, Lívia disse que a governadora “passou vergonha” ou “está mal assessorada” por ter postado nas redes sociais que estava enviando as tropas para “repor a ordem”, mas acabou sendo informada da real situação pela própria deputada e pelo Ministério Público Federal (MPF), no último final de semana.
“Trago um assunto muito desagradável, que foi o envio da PM pela governadora para uma área de ocupação em Marabá, o acampamento Maria da Glória, que se dá em área pública da qual alguém reivindica a propriedade”, iniciou a deputada.
“Amigos, sinceramente, é de enxergar a vergonha de alguém escrever, do mais alto cargo do Executivo paraense, que restabelece a ordem assumindo como verdade a palavra de quem grilou uma terra como aquela, que é de fim público (…) O MPF se pronunciou esclarecendo que nunca se tratou de propriedade privada, mas é área pública, da União, com portaria do Incra de terra destinada à reforma agrária (…) O MPF responde que o ‘proprietário’ tentou regularizar a área, mas não conseguiu porque há fortes indícios de burla aos requisitos legais, ou seja, uma grilagem tentou ser feita e o MPF recomendou ontem mesmo, oficiando ao governo do estado, dizendo que o cerco policial precisa sair para entrar água e comida para os acampados”.
A deputada do PSOL destacou que a gravidade do erro cometido pelo governo do estado se amplifica diante da localização do conflito, que fica próximo do município de Eldorado do Carajás, no Sudeste Paraense, onde aconteceu o massacre de 19 trabalhadores sem-terra há 30 anos, episódio reconhecido como uma chaga histórica dos conflitos agrários existentes no estado. “A Hana manchará a sua biografia com algo parecido com o Massacre de Eldorado? Espero que não. Crianças, mulheres e trabalhadores pagarão o preço”, concluiu.








