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Em uma demonstração de negacionismo e desprezo pelo conhecimento cientifico, o prefeito Igor Normando (PSDB) fez aprovar, através de sua base de apoio na Câmara Municipal de Belém, na quarta-feira (20), uma mudança na composição do Comitê Gestor de Riscos e Desastres do Município. A decisão exclui a participação da sociedade civil, do Serviço Geológico do Brasil (SGB) e da Universidade Federal do Pará (UFPA), por meio do Instituto de Geociências, do Núcleo de Altos Estudos Amazônicos (NAEA) e do Núcleo de Meio Ambiente (NUMA).

A vereadora Vivi Reis (PSOL) criticou a medida. “Em uma única canetada, Igor Normando, com o apoio dos vereadores da base, concentrou o Comitê nas mãos dos órgãos municipais, retirando toda a base científica que os núcleos da UFPA e do Serviço Geológico poderiam acrescentar ao debate, eliminando também a participação popular”, afirmou. Ela destacou que Belém tem sido cada vez mais impactada por alagamentos, o que evidencia a necessidade da participação permanente de instituições científicas e de representação das comunidades mais atingidas.

Na mesma linha, a líder do PSOL na Câmara, vereadora Marinor Brito, lamentou a aprovação. “A Câmara aprovou um projeto que retirou universidades e órgãos técnicos desse comitê. UFPA, NAEA, NUMA, Serviço Geológico do Brasil: fora! Quem decidirá sobre enchentes e emergências na cidade agora são só órgãos do governo, sem participação científica nem da sociedade civil”, declarou.

Marinor afirmou que apresentou emendas, pediu debate e alertou para os riscos, mas não foi atendida. “A cidade merece decisões baseadas em ciência e participação popular, não em conveniência política”, concluiu.

A mudança agora concentra a gestão do comitê exclusivamente em órgãos municipais.

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