Governadora Hana Ghassan anunciou criação de delegacia contra roubo e furto de gado em Xinguara, durante reunião com agro negocistas. Foto: Rodrigo Pinheiro / Ag. Pará

O presidente do Sindicato dos Policiais Civis do Pará (SINDPOL-PA), Ednaldo Santos, criticou a criação da Delegacia Especializada de Repressão a Crimes Rurais, Roubo e Furto de Gado, a Deleagro, anunciada pela governadora do Pará, Hana Ghassan (MDB), nesta terça-feira (19). O projeto altera a estrutura orgânica da Polícia Civil do Estado e cria uma unidade especializada para investigar crimes rurais, roubo e furto de gado. Segundo o governo, a medida tem como objetivo reforçar a atuação policial no campo.

Para Ednaldo Santos porém, a criação da nova delegacia tem caráter “eleitoreiro” e atende aos interesses de uma parcela já privilegiada da população, enquanto a maioria dos paraenses segue sem acesso a uma segurança pública de qualidade.

“Trata-se de uma medida extremamente eleitoreira, que protege apenas os interesses de uma classe já bastante privilegiada e rica do nosso estado, em detrimento da maioria da população paraense, que carece de segurança pública de verdade e de qualidade”, afirmou o presidente do SINDPOL.

O Sindicato tem realizado uma série de visitas a unidades policiais em Belém e no interior do estado para denunciar as condições de atendimento à população. Os dirigentes sindicais afirmam que a falta de efetivo tem provocado o fechamento de delegacias durante a noite, feriados e finais de semana, justamente em áreas populosas e com altos índices de violência.

Na avaliação do presidente do sindicato, o governo prioriza a proteção de grandes proprietários rurais em um momento em que delegacias de bairros, inclusive em áreas populosas e violentas de Belém, enfrentam falta de efetivo e não funcionam durante a noite, fins de semana e feriados. “Enquanto o governo do Estado foca em proteger os mais ricos, a população que realmente precisa de proteção é esquecida”, declarou Ednaldo.

Ele também afirma que a criação de novas unidades policiais agrava a sobrecarga dos servidores da Polícia Civil. Segundo o sindicato, não há policiais suficientes para atender adequadamente as delegacias já existentes, e a abertura de novas estruturas tende a ampliar jornadas extenuantes.

“Mesmo diante desse cenário caótico, a gestão da Polícia Civil e o governo do Estado insistem em criar novas unidades policiais, sem que haja policiais suficientes sequer para atender as delegacias que já existem”, criticou.

 

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