Como em 24 horas, sem um pingo de constrangimento, a bancada da motosserra desferiu seguidos golpes na legislação de proteção ambiental no país – Foto: Ponto de Pauta/IA
Por Aldenor Júnior
Se depender dos parlamentares que rezam um terço pelos interesses dos grandes produtores rurais, a votação do pacote de leis em favor dos interesses do segmento mais predatório da economia nacional deveria ser chamado de “Dia do Agro”.
Porém, passará para a história como um “Dia de Fúria”, que remete diretamente à franquia de terror estadunidense iniciada pelo filme “Uma noite do crime” (The Purge), de 2013. Nesse enredo, por 12 horas, num futuro distópico, seria permitido matar à vontade, sem que houvesse punição aos que liberassem sua sanha assassina. Seria essa mesma sensação de impunidade que move os deputados ruralistas?
Não foi pouco o que fizeram. De uma só tacada, feriram de morte a Floresta Nacional do Jamanxim, no Pará, com direito a um Helder Barbalho sorridente e bem instalado ao lado perverso Hugo Motta, para não deixar qualquer dúvida sobre seu papel na manobra anti-ambiental. Avançaram também no enfraquecimento dos mecanismos de fiscalização dos crimes praticados pelos devastadores. Afinal, para essa bancada espúria é um absurdo que o IBAMA siga embargando áreas de desmate “apenas” com o uso das imagens de satélite. Exigem que os acusados sejam notificados e que possam se defender (enquanto a destruição seguirá avançando até não haver uma única árvore, um único rio livre de contaminação, um único indígena vivo para contar a história).
Não por mera coincidência, no dia seguinte, o STF formou maioria para validar a lei 13.452/17, que autoriza a construção da Ferrogrão cortando os limites da Flona Jamanxim. O placar de 9 votos a 1 diz muito sobre o poderio das teses que favorecem o poder econômico nas cortes superiores . Tudo dominado? Falta combinar com os povos indígenas que já prometem ações de resistência, pois têm cabido a eles a responsabilidade quase exclusiva de lembrar à sociedade brasileira que o caminho do ecocídio, no limite, consumirá a todos no fogo alto da hecatombe socioambiental.
Aldenor Júnior é jornalista








