Lula Marques/ Agência Brasil

Resultados do Datafolha revelam um rápido desgaste na candidatura da extrema-direita é Lula abrindo 9 pontos de vantagem

Por Aldenor Júnior

A classe média – eternamente iludida de ser (de e mesmo a) elite – se assustará diante desse espelho medonho das entranhas do sistema?

O bolsonarismo – um núcleo duro de quase um terço do eleitorado – se abalará de forma substancial ao descobrir que rebento zero um está até o pescoço no mar de lama do Master?

A pesquisa do Datafolha fornece pistas de um cenário em mutação, onde algo se move, é verdade, mas sem a velocidade ou a profundidade que seriam esperadas diante da gravidade das denúncias.

Afinal, para um bolsonarista-raiz, um tio ou tia do zap – mesmo que colocado diante da cena de um crime de morte executado por um membro do clã, ainda assim questionará se a vítima não teria feito algo grave para merecer ser assassinada.

Segundo o Datafolha, entre os eleitores de Flávio, mesmo após as revelações do escândalo do Dark Horse, 88% preferem que ele mantenha a candidatura e apenas 10% acham que deveria desistir.

Parece pouco, mas é um em cada 10 e isso produz um abalo que a pesquisa já captou: Lula abriu 9 pontos de vantagem na simulação de 2o turno e a rejeição a Flávio voltou a ser superior à do presidente, subindo de 43 para 46% num espaço de uma semana.

Ainda é pouco para inviabilizá-lo, porém, já que sua permanência na urna é questão vital para a sobrevivência da corrente política liderada pelo ex-presidente presidiário. Só um agravamento muito maior e uma sangria incontrolável o obrigará a lançar mão de algum plano alternativo. Talvez, restará recorrer a Michele, que, tem seu caminho obstruído por ostentar nível de confiabilidade negativo diante de seus atrapalhados enteados.

A bola rola no meio campo. Até outubro, muita água suja passará por baixo da ponte.

A única certeza é que o Brasil estará numa encruzilhada dramática e definitiva, com chances equilibradas de se livrar o tormentoso abismo do retrocesso, abrindo espaço para a continuidade do ciclo reformista liderado pelo presidente Lula.

Como se sabe, esse homem de mais de 80 anos e meio século de lutas é a única opção capaz de exorcizar o fantasma da barbárie que insiste rondar o horizonte nacional.

Aldenor Junior é jornalista

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