Fotos: Reprodução Câmara dos Deputados
O silêncio da bancada bolsonarista e de alguns do centrão do Pará, depois da aprovação do fim da escala 6×1 na Câmara dos Deputados, nesta quarta-feira (27), deveria ser lembrado pela população quando esses parlamentares voltarem a pedir voto nas eleições deste ano.
Da comissão especial à votação no plenário, passando pelas publicações mais recentes (até a publicação desta matéria) nas redes sociais, chama atenção a ausência de celebração pública de uma das conquistas trabalhistas mais importantes dos últimos anos pelos deputados da extrema-direita Éder Mauro, Caveira e Joaquim Passarinho (PL), Junior Ferrari e Raimundo Santos (PSD), e até o MDBista, José Priante.
A razão parece ser o fato de que a proposta foi capitaneada pela esquerda, por setores progressistas e por uma ampla mobilização social.
Na comissão especial da Câmara, o parecer do relator foi aprovado por 34 votos a 4. Apenas deputados do PL e do Novo votaram contra. Já no plenário, Novo e Missão orientaram voto contrário à proposta. O PL ainda tentou uma manobra para prejudicar a votação, defendendo um texto que não havia sido debatido nem tinha maioria para ser aprovado.
Mas na hora do voto, a maioria recuou: na primeira votação, a proposta foi aprovada por 472, 22 foram contra, 18 deputados se ausentaram – um deles o deputado José Priante (MDB-PA) -, e 1 anunciou obstrução (impedir a votação). Na segunda votação, 19 deputados foram contrários. e 33 deputados estavam ausentes. Entre os contrários, foram 9 deputados do PL, 4 do Novo, dois do MDB, e 1 de cada um partidos União Brasil, PSD, PP e Missão.
No Pará, nenhum deputado votou contra a proposta. Mas votar “sim” diante de uma maioria esmagadora não apaga o silêncio político. Há diferença entre acompanhar a maré e defender uma pauta. Há diferença entre votar para não ficar mal com a população e disputar publicamente o direito dos trabalhadores ao descanso, à convivência familiar e à vida além do trabalho.
O único deputado paraense a se posicionar publicamente na Câmara, no dia de ontem, foi o deputado Airton Faleiro (PT): “A classe trabalhadora quer que a gente aprove aqui: a escala 5 por 2. É claro que o sonho da escala 4 por 3 tem que se manter vivo, porque muitos países já fizeram isso, mas, agora, o que está em discussão é a escala 5 por 2, sem redução de salário, e, ao mesmo tempo, com 40 horas semanais”, afirmou.
Nunca é demais lembrar: essa conquista só foi possível porque a maioria da população se colocou a favor da proposta, porque houve mobilização social e porque um governo progressista decidiu encampar a pauta. Direitos não caem do céu. São resultado de pressão, organização e disputa política.
Ao longo da história do Brasil e do mundo, cada vitória conquistada pela classe trabalhadora enfrentou resistência de quem dizia que era impossível, caro demais ou prejudicial à economia. Mas direitos como salário mínimo, CLT, férias remuneradas, 13º salário, licença-maternidade, proibição do trabalho infantil, a proteção contra demissão sem justa causa e proteção ao trabalho da mulher, só foram possível com a organização dos trabalhadores e trabalhadoras, através de sindicatos, organizações e partidos de esquerda.








