O evento já é reconhecido pelos amantes do samba e acontece toda primeira sexta-feira do mês, capitaneada pela Roda de Samba Fé no Batuque. Foto: Kaio Cardoso

Para os adeptos da religiosidade de matriz africana, o mês de agosto é dedicado aos exus e as pombogiras, cultuados como guias espirituais de luz, responsáveis pela abertura de bons caminhos, transformação e proteção de seus cultuadores. E, como já é tradição, pelo quarto ano consecutivo, o projeto Samba Batuque da Feira do Açaí realiza a edição “Batucada dos Guardiões”, para prestar homenagem a essas entidades. Será nesta primeira sexta-feira do mês, 07, a partir das 20h, na Feira do Açaí.

O evento, que acontece desde 2020 e é tombado como Patrimônio Cultural e Imaterial de Belém, promove uma ocupação cultural em formato de roda de samba de raiz, aberta ao público, em importante espaço histórico, econômico e cultural da capital paraense, atraindo centenas de amantes do gênero musical.

“Nosso projeto tem várias bandeiras de valorização cultural. Então, além do samba, que é ancestral, o evento também busca valorizar a religiosidade e a cultura afro-brasileira, desfazendo preconceitos, racismos e intolerâncias religiosas”, defende Geraldo Nogueira, cantor e organizador do evento.

A Roda de Samba Fé no Batuque é a anfitriã da batucada recebendo vários artistas que cantam e tocam diversos clássicos do samba, da música de terreiro e demais sucessos populares.

Nesta edição, em um movimento que une cultura, política e transformação social, a Federação das Mulheres do Estado do Pará (Femepa) e Campanha Estamos com as Manas, lançam o grupo musical Manas do Batuque, uma iniciativa criada em celebração aos 20 anos da Lei Maria da Penha, marco histórico na luta pelo enfrentamento à violência contra as mulheres no Brasil. No palco, três vozes potentes da cena paraense: Marta Mariana, Tici Santos e Adriana Souza, artistas que conduzem um repertório carregado de identidade, ancestralidade e posicionamento.

Como participações especiais na roda de samba, se apresentam: Ode Lomi, mulher preta de terreiro da Amazônia paraense, cantora, compositora, percussionista, professora de dança e pesquisadora, que levará seu canto cheio de energia; o tata pokó, Muramunã, iniciado no terreiro Tubangola, em Salvador (BA). Em Belém, ampliou sua trajetória musical, atuando como percussionista na banda Acena e acompanhando a cantora Marta Mariana, além de integrar o grupo Samb’Axé. Ele promete levantar o público da Feira do Açaí com muito samba de roda.

Junto a ele, Vitor Kalepensi, que é iniciado como tyata jinsaba, no terreiro de tradição Congo/Angola Mansu Nangetu. Multi-instrumentista, desenvolve pesquisas e projetos dedicados às musicalidades tradicionais afro-brasileiras, com atuação em iniciativas como o Bloco Nação Ogan, Afoxé Ita Lemi Sinavuru e Samb’Axé. Atualmente, desenvolve um trabalho de valorização do samba de viola no culto aos caboclos do candomblé, sendo reconhecido como o primeiro violeiro desse segmento na Região Norte do Brasil.

A programação conta ainda com a intervenção artística de Rosy Luedi com performances e danças carregadas de simbolismo, ancestralidade, força e axé. Rosy é atriz e dançarina performática de danças afro.

Na abertura do evento, tem a discotecagem da DJ Jack Sainha, residente e produtora do evento, com um set list de sambas e afrobrasilidades.

Projeto – O Samba Batuque Feira do Açaí é uma ocupação cultural, sem fins lucrativos, que busca disseminar o acesso à arte, cultura e lazer de forma democrática e gratuita, em um importante espaço público e histórico da capital paraense, quebrando preconceitos contra o samba, a cultura popular e a cultura afro-brasileira. Esta edição conta com o apoio da Prefeitura de Belém.

Serviço

Data: 07/08/2026, sexta-feira
Hora: 20h
Local: Feira do Açaí. R. Ladeira do Castelo. Cidade Velha, Belém

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