Evento promovido pela Fundação Avina reuniu representantes dos governos municipal, estadual e federal para fortalecer a governança climática em Soure, Salvaterra e Cachoeira do Arari

O Observatório do Marajó participou do encontro “Gestores pelo Clima”, realizado em Soure (PA), iniciativa que reuniu gestores públicos de Soure, Salvaterra e Cachoeira do Arari, além de representantes do Governo do Estado do Pará e do Governo Federal. O evento marcou o lançamento oficial da campanha “Marajó Unido pelo Clima”, voltada à mobilização de gestores e comunidades para o enfrentamento dos impactos das mudanças climáticas na região.

O encontro foi promovido pela Fundação Avina, pelo Instituto Internacional de Educação do Brasil (IEB) e pelas prefeituras de Soure, Salvaterra e Cachoeira do Arari. A iniciativa contou com a participação do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), do Fórum Permanente Estadual de Secretários Municipais de Meio Ambiente (FOPESMMA), da Secretaria Adjunta de Gestão de Águas e Clima do Pará e da Agência Alemã de Cooperação Internacional (GIZ).

O principal objetivo foi fortalecer as capacidades político-institucionais dos municípios marajoaras para a implementação de uma governança climática local estruturada, alinhada à sustentabilidade dos sistemas agroflorestais e às demandas socioambientais da região.

A programação integrou uma agenda de fortalecimento da governança climática no território marajoara. Como etapa preparatória, os Comitês Municipais de Ação Climática dos três municípios realizaram uma sessão de trabalho para concluir a proposição de mecanismos institucionais voltados à governança climática municipal.

Além do lançamento da campanha “Marajó Unido pelo Clima”, o encontro funcionou como um espaço de articulação e ativação da governança climática local, consolidando processos construídos por meio do projeto Marajó Resiliente, culminando na assinatura de uma carta de intenção municipal se comprometendo com o fortalecimento da governança climática local, assinada pelos gestores de Soure, Salvaterra e Cachoeira do Arari.

Bianca Barbosa e Inamara Melo (Diretora do Departamento de Políticas para Adaptação e Resiliência à Mudança do Clima – DPAR/MMA) durante entrega da agenda “Caminhos do Marajó”

O Observatório do Marajó participou do encontro por meio de Bianca Barbosa, Gestora de Projetos da organização. A participação e a entrega da agenda “Caminhos do Marajó” para a Inamara Melo (Diretora do Departamento de Políticas para Adaptação e Resiliência à Mudança do Clima – DPAR/MMA), reforça o compromisso do Observatório do Marajó com o acompanhamento de pautas estratégicas para o desenvolvimento sustentável do arquipélago, contribuindo para o fortalecimento da participação social, da transparência e do diálogo entre instituições e comunidades marajoaras, bem como, a garantia das agendas das comunidades no centro dos debates sobre mudanças climáticas no Arquipélago do Marajó.

Bianca Barbosa, que acompanhou a programação, reforça: “Iniciativas como esta, que reúnem a sociedade civil e o poder público, são muito importantes para que as comunidades participem de espaços de diálogo e da formulação de políticas públicas, pois a participação social é um direito constitucional que, na maioria das vezes, não é efetivamente garantido. Enquanto sociedade civil, iremos monitorar e estimular as lideranças locais a acompanharem o cumprimento dos compromissos assumidos na Carta de Intenção Intermunicipal pelos gestores de Soure, Salvaterra e Cachoeira do Arari”.

A organização, que atua com o monitoramento cidadão das calamidades climáticas – a partir da coleta feita por lideranças das comunidades tradicionais – e avalia o índice de transparência pública em adaptação climática das prefeituras no Marajó, vem construindo desde 2020 materiais, documentos, agendas, campanhas e mobilizações para pautar e pressionar o poder público acerca da garantia da participação das comunidades tradicionais no ciclo das políticas públicas na região, posicionando a urgência que os governos municipais precisam ter na implementação de políticas públicas de adaptação às mudanças climáticas.

Desde 2023, o monitoramento cidadão de calamidades climáticas vêm apontando, por meio de dados, a crise climática enfrentada pelos territórios marajoaras. Além disso, muito nos preocupou constatar que, nos planos de governo dos candidatos a prefeitos da última eleição municipal, não havia propostas relacionadas ao enfrentamento das mudanças climáticas. É fundamental que os gestores municipais reconheçam e fortaleçam as ações e soluções lideradas localmente pelas comunidades”, afirma Bianca.

Considerado uma das regiões insulares mais vulneráveis aos impactos das mudanças climáticas, o arquipélago do Marajó enfrenta desafios crescentes relacionados a eventos climáticos extremos, como cheias e secas intensas. Esses fenômenos já afetam diretamente a produção de alimentos, a mobilidade e a saúde das comunidades que dependem dos rios, da floresta e da produção agroecológica para sua subsistência.
A campanha é resultado de meses de articulação interinstitucional conduzida pelo Projeto Marajó Resiliente, reunindo diferentes setores em torno da pauta climática na região.

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