Paralisação já dura mais de 15 dias, afeta cirurgias em quatro hospitais e se soma a uma crise mais ampla na rede municipal de urgência e emergência. Foto: Reprodução
A Defensoria Pública do Estado do Pará estabeleceu prazo de cinco dias úteis para que a gestão de Igor Normando (PSDB), através da Secretaria Municipal de Saúde de Belém, preste esclarecimentos sobre a falta de anestesistas na rede municipal e em unidades conveniadas ao Sistema Único de Saúde. A cobrança ocorre após a paralisação de profissionais, iniciada em 1º de junho, que já compromete cirurgias eletivas e amplia a crise na saúde pública da capital.
De acordo com a Sociedade de Trabalho dos Anestesiologistas do Pará, cerca de 120 profissionais aderiram ao movimento. A categoria afirma que a paralisação foi motivada por atrasos nos pagamentos. Com a falta dos médicos, cirurgias eletivas foram suspensas no Hospital Ordem Terceira, Hospital Maradei, Beneficência Portuguesa e no Pronto-Socorro Municipal do Guamá.
No ofício encaminhado à Sesma, o Núcleo de Atendimento Especializado da Criança e do Adolescente da Defensoria Pública solicita informações detalhadas sobre os débitos pendentes, o número de procedimentos cancelados e as medidas administrativas adotadas pela secretaria para regularizar o atendimento.
Saúde em crise
Uma sequência de denúncias sobre atrasos de pagamento vem sendo realizadas nos últimos meses, causando a suspensão de serviços e risco de colapso em unidades da rede municipal de saúde. A crise se estende a diferentes áreas do atendimento, especialmente no Pronto-Socorro Municipal Mário Pinotti, o PSM da 14 de Março, uma das principais portas de entrada de urgência e emergência de Belém.
No fim de maio, médicos pediatras que atuam no PSM da 14 denunciaram atraso no pagamento dos plantões desde fevereiro. O pagamento referente ao mês de março, que deveria ter sido quitado em maio, também seguia sem previsão de regularização. Em março, a gestão de Igor Normando retirou os profissionais de neurocirurgia por falta de pagamento, deixando paciente sem atendimentos considerados de alta complexidade, como AVC hemorrágico, traumatismos cranianos graves e outros casos neurológicos de urgência. O mesmo motivo suspendeu o serviços de traumatologia e ortopedia.
No mesmo mês, a Associação dos Servidores Municipais de Saúde de Belém já havia denunciado que o PSM da 14 corria risco de entrar em colapso devido à falta de pagamento de empresas terceirizadas responsáveis por serviços essenciais. A entidade apontou problemas na lavanderia, com desabastecimento de roupas para o bloco cirúrgico e para pacientes acamados. Também informou que os serviços de radiologia e tomografia estavam ameaçados de paralisação pelo mesmo motivo.
Servidores relatam ainda que o sistema de emissão de laudos de exames foi bloqueado por falta de pagamento. A empresa responsável pelo serviço de diagnóstico por imagem também teria ameaçado desligar equipamentos de tomografia, raio-X e eletrocardiograma.








