Lula: “Entreguem os bandidos brasileiros para a gente poder prender” Foto: Ricardo Stuckert/PR
Após o encerramento da Cúpula do G7, em Évian, na França, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reagiu com firmeza às declarações de Donald Trump sobre a política brasileira, as eleições e a família Bolsonaro. Questionado sobre novas falas do presidente norte-americano, Lula afirmou que Trump demonstra desconhecimento sobre o Brasil quando toma como referência apenas sua relação com os Bolsonaro.
“Eu acho que ele [Trump] conhece pouco o Brasil. Se ele conhece o Brasil pela relação que tem com a família Bolsonaro, ele desconhece o Brasil. Bolsonaro está preso”, afirmou Lula, em entrevista a jornalistas.
A resposta veio depois de Trump voltar a comentar a situação política brasileira e mencionar, de forma confusa, a prisão de um “Bolsonaro Júnior”. O presidente dos EUA disse, ainda, que o Brasil se tornou um país perigoso politicamente.
Lula afirmou que bolsonaristas investigados no Brasil têm buscado abrigo nos Estados Unidos e citou o caso do ex-deputado Alexandre Ramagem. O presidente disse que entregou a Trump informações sobre endereços em Miami e cobrou cooperação norte-americana no combate ao crime organizado, inclusive para a entrega de brasileiros procurados pela Justiça.
“Entreguem os bandidos brasileiros para a gente poder prender. A Polícia Federal está ávida para ir lá. Até o Ramagem já foi preso, mas eles soltaram”, declarou.
“Não se meta nas eleições do Brasil”
Lula também fez uma defesa enfática do sistema eleitoral brasileiro e das urnas eletrônicas.
“Se tem alguém que tem que aprender com as eleições civilizadas no Brasil é o meu amigo Trump. Eu, na próxima vez, vou levar uma urna eletrônica para mostrar para ele como é que ela funciona”, apontou.
Para Lula, Trump tem o direito de ter preferências ideológicas, mas não pode ultrapassar os limites do respeito entre nações soberanas. O presidente brasileiro reforçou que as eleições no Brasil pertencem ao povo brasileiro.
“Ele tem direito de ter as preferências eleitorais dele, as preferências ideológicas dele. Eu só espero que ele não fira o código de ética entre as nações que querem ser respeitadas na sua soberania. Para mim, ele pode continuar gostando do Bolsonaro, do pai, do filho, do neto, não tem nenhum problema. É um problema dele. Afinal de contas, gosto não se discute. Agora, não se meta nas eleições do Brasil. Porque as eleições do Brasil é um problema do Brasil, como as eleições americanas é um problema deles, não é um problema meu”.
Com informações do PT








