Inquérito sobre o Território Palestino Ocupado aponta que governo israelense utiliza como estratégia ‘destruição da continuidade biológica’ e da ‘existência futura’ de Gaza. Foto: Sam Fahed Abu Haykal, bebê de 7 meses, assassinado na Cisjordânia. Crédito: Oren Ziv

Opera Mundi – A Comissão Internacional Independente de Inquérito sobre o Território Palestino Ocupado da ONU divulgou nesta terça-feira (23/06) que Israel “mirou” em crianças palestinas em meio a um “genocídio” na Faixa de Gaza. O governo israelense classificou as acusações como “difamatórias” e uma “farsa caluniosa”.

O comitê, formado por juristas e investigadores ligados à Organização das Nações Unidas (ONU) e encarregados de acompanhar a operação israelense em Gaza, disse ter encontrado evidências de que “menores palestinos foram deliberadamente alvejados e mortos pelas forças de segurança israelenses”.

De acordo com o relatório, crianças palestinas foram alvejadas e mortas por tropas israelenses durante a guerra entre 2023 e 2025. O documento também enfatiza que, após o cessar-fogo de outubro de 2025, houve casos de genocídio, crimes contra a humanidade e crimes de guerra.

“Mesmo depois do cessar-fogo de outubro de 2025, as forças israelenses continuam matando e ferindo gravemente crianças; Israel continua ignorando o cessar-fogo e a proteção que o direito internacional obriga a conceder às crianças palestinas”, acrescenta o informe.

Os dados reforçam que tropas israelenses tiveram “intenção genocida de destruir a comunidade palestina em Gaza”, além de afirmarem que 30% dos 73 mil mortos na guerra contra Gaza foram crianças, o que representa pouco mais de 20 mil vítimas. A investigação ainda apontou que, durante os dois primeiros anos da guerra, pelo menos 20.179 crianças foram mortas e 44.143 ficaram feridas.

Em um comunicado, a equipe afirmou que “autoridades e forças de segurança israelenses têm como alvo deliberado crianças palestinas, resultando em genocídio, crimes contra a humanidade e crimes de guerra na Faixa de Gaza e na Cisjordânia”.

O presidente da comissão, Srinivasan Muralidhar, disse em um comunicado que “ao visar crianças, Israel ataca a capacidade do povo palestino de existir e de determinar seu futuro”.

Vale ressaltar que, em setembro do ano passado, a equipe da comissão, composta por três membros, já havia concluído que Israel cometeu genocídio na guerra contra Gaza.

Queda da natalidade

O relatório aponta que Israel utiliza a morte de crianças palestinas como estratégia para “destruir a continuidade biológica e a existência futura do povo palestino em Gaza”. O cerco ao enclave “comprometeu diretamente a saúde reprodutiva e neonatal da população”.

A comissão ressaltou que os ataques de Israel contra os serviços de neonatologia e maternidade provocaram aumento dos abortos espontâneos e do número de bebês prematuros com malformações, resultando em consequências permanentes para a continuidade da população.

Ainda segundo o relatório, foram identificadas divisões, brigadas e unidades israelenses que podem ser responsáveis pelo assassinato de crianças em incidentes específicos em Gaza e na Cisjordânia.

O relatório também destaca que a população jovem ferida “enfrenta uma vida de deficiência”, realidade que se tornou “uma característica demográfica marcante” entre as crianças de Gaza.

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