A inscrição é gratuita em formato online pelo perfil @expotrabalhadores no Instagram. Foto: Evna Moura/Divulgação

Como construir imagens que escapem dos estereótipos e revelem a complexidade da Amazônia contemporânea? A partir dessa provocação, a artista visual, pesquisadora, curadora e educadora paraense Evna Moura ministra, no dia 11 de julho (10h às 12h e 13h às 15h),​ no Centro Cultural Banco da Amazônia, o minicurso Horizontes da Fotografia Amazônica Contemporânea: Da Prática à Curadoria​.

A atividade faz parte da programação educativa da exposição Trabalhadores, de Sebastião Salgado, em cartaz na Galeria 1 do Centro Cultural Banco da Amazônia, com coordenação da Maré Produções.

Voltado a fotógrafos, estudantes, artistas, pesquisadores e pessoas interessadas na linguagem da fotografia, em quatro horas de duração, o curso convida os participantes a refletir sobre as imagens produzidas na região, compreendendo a fotografia não apenas como registro, mas como construção de pensamento, memória, identidade e transformação social.

A proposta estabelece um diálogo crítico com a exposição de Sebastião Salgado, um dos principais nomes da fotografia documental mundial, ao mesmo tempo em que apresenta outras formas de narrar a Amazônia a partir de quem vive, pesquisa e produz imagens no território.

“O diálogo que pretendo estabelecer é de tensionamento e complementação. A obra de Sebastião Salgado possui uma importância histórica inegável, mas queremos confrontar esse ‘olhar que visita’ com o ‘olhar que habita’. A proposta é analisar como artistas amazônicos reagem a essa herança, trocando a distância documental pela intimidade cotidiana e revelando as tramas das cidades, das margens e das cosmopolíticas a partir de dentro”, explica Evna.

Além de discutir aspectos técnicos da fotografia, o minicurso propõe um deslocamento do olhar sobre a Amazônia. Durante a primeira etapa, os participantes percorrem um panorama da fotografia amazônica contemporânea, investigando como diferentes artistas têm rompido com imaginários cristalizados para construir narrativas autorais sobre cidades, territórios, ancestralidades e modos de existência.

Na segunda parte, o encontro transforma-se em um laboratório de curadoria, no qual cada participante trabalhará suas próprias fotografias, exercitando edição, seleção e construção de narrativas visuais. Para Evna, é nesse processo que a autoria ganha força.

“Saber fotografar é apenas a primeira etapa de uma escrita visual. A verdadeira força do discurso se consolida na edição, no corte e no sequenciamento. É quando deixamos de ter apenas boas fotografias isoladas e passamos a construir um projeto consistente”, afirma.

A artista ressalta que o objetivo do encontro é provocar uma mudança de percepção sobre o próprio ato de fotografar.

“Espero que os participantes compreendam que fotografar é uma escolha de discurso e um projeto de mundo. A imagem não é um espelho passivo da realidade. Quero que cada pessoa perceba a responsabilidade e a potência poética e política que existem ao editar e organizar o próprio trabalho.”

Arte, pesquisa e formação

Natural de Belém, Evna Moura desenvolve uma trajetória que reúne produção artística, pesquisa acadêmica, curadoria e formação em fotografia. Bacharela pela Universidade Federal do Pará (UFPA) e mestre em Artes pelo Instituto de Artes da Unesp, sua pesquisa aproxima fotografia experimental, processos híbridos, ecofeminismo, visualidades afro-indígenas amazônicas e as relações entre corpo, território, memória e natureza.

Sua produção já integrou exposições e projetos apresentados na COP 28, realizada nos Emirados Árabes Unidos, no Centro de Fotografía de Montevideo, no Uruguai, no Jardin Botanique de Cayenne, na Guiana Francesa, além da 1ª Bienal das Amazônias e da exposição Vetores-Vertentes: Fotógrafas do Pará, apresentada pelo Centro Cultural Banco do Brasil.

Ao longo de mais de uma década de atuação na Associação Fotoativa, também consolidou um importante trabalho como educadora, ministrando oficinas, cursos e palestras voltados à formação de fotógrafos e pesquisadores. Segundo ela, ensinar fotografia significa estimular a construção de narrativas próprias.

“Ensinar fotografia vai muito além de repassar conceitos técnicos. É um exercício de alfabetização visual, pensamento crítico e partilha, criando um espaço para que cada participante tome posse da própria narrativa.”

Evna acredita que o encontro será também uma oportunidade de troca entre diferentes experiências de produção de imagens na Amazônia. “Minha expectativa é de grande confluência. Espero que nossa mesa de edição se transforme em um laboratório de narrativas sobre o nosso próprio chão.”

Para a atividade prática
Os participantes deverão levar:
notebook (preferencialmente) ou tablet;
entre 20 e 30 fotografias de autoria própria, em arquivos digitais (JPEG ou TIFF), organizadas em uma pasta;
cabo, leitor de cartão ou outro recurso necessário para acessar as imagens durante a oficina.

Serviço
Horizontes da Fotografia Amazônica Contemporânea: Da Prática à Curadoria
Ministrante: Evna Moura
Data: 11 de julho
Horário: das 10h às 12h e das 13h às 15h
Vagas: 20 participantes.
Inscrições: de 1º a 11 de julho, ou até o preenchimento das vagas.
Formato: online pelo perfil @expotrabalhadores no Instagram
Link: https://forms.gle/MwY4gvey4VNNdwZk6
Local: Centro Cultural Banco da Amazônia
Público-alvo: fotógrafos, estudantes, artistas, pesquisadores e interessados em fotografia.

Deixe um comentário