Enquanto o governo faz de conta que prioriza o combate a esta modalidade de crime hediondo, os casos de feminicídio seguem crescendo no território pararense. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
O Pará, sob o comando de Helder e Hana, continua sendo um lugar muito perigoso para as mulheres.
Segundo dados do Anuário Brasileiro de Segurança Publica 2026, divulgado ontem (23), enquanto os casos de feminicídio cresceram 4 % no Brasil, entre 2024 e 2025, vitimando 4 mulheres a cada dia, no Pará o aumento deste crime foi 24,3%, ou seja, 6 vezes mais que a média nacional.
Em 2025, no Pará, a cada 5,6 dias uma mulher foi assassinada pelo simples fato de ser mulher. Se levarmos em conta as tentativas de feminicídio, essa tragédia cotidiana é ainda mais cruel: foram 207 tentativas de feminicídio, uma a cada dois dias, em média. Significa que para cada feminicídio consumado houve mais de três tentativas, um pouco acima do registrado em nível nacional.
O Estado falha e essa omissão custa a vida ou a saúde de incontáveis mulheres, todos os dias, num massacre sem fim.
Um número mostra com eloquência a omissão do aparato de segurança na proteção às mulheres. No ano passado, houve 2502 descumprimentos de medidas protetivas, número 28,7% superior ao registrado em 2024.
Tudo somado, revela a verdadeira situação das mulheres paraenses, abandonadas e expostas a uma onda de violência que se retroalimenta justamente na esteira da precarização da rede que, fosse efetiva, pouparia incontáveis vidas.
Como falar em um Pará onde o agressor de mulher não tem vez, com apenas 22 municípios contando com delegacias especializadas e, ainda mais quando somente em apenas 5 deles haveria plantão 24 horas.
E nos outros 122 municípios, o que a mulher ameaçada ou agredida pode fazer? A quem recorrer quando a ameaça está próximo de se consumar?
A pirotecnia da propaganda de Hana está fadada a se chocar com a realidade. Fantasiar-se repentinamente de defensora das mulheres só se presta ao jogo de cena do marketing eleitoral. Chega a ser um escárnio com a vítimas desse crime hediondo.








