Depois do inexplicável desmatamento de suas margens, população local redescobre o que sempre esteve ali. Foto: Reprodução/Internet
Por Aldenor Junior
Belém nasceu nas margens de rios gigantes e de suas veias que penetravam (e ainda penetram) o território.
Os invasores apontavam os canhões para dentro e davam as costas ao rio-mar.
Os Brasis, negros da terra, se negaram a morrer, que nem as veias d’água das quais tiravam a vida.
Os rios, porém, foram sendo tapados, soterrados, virando canais cobertos, vala, valões, de água apodrecida.
Sobre os nossos pés, entretanto, a vida continua pulsando, batendo o tambor de outros tempos.
Ei, estou vivo!
Ei, seus planos de morte não deram certo.
Quando o Sol está a pino e a suadeira cobre de calor uma terra em brasa, os filhos dessa terra (re)descobrem seu rio (quase) perdido.
A boca do Tucunduba permanece aberta e virou problema sanitário?
Certamente, alertam as mesmas autoridades que são autoras do crime de homicídio continuado contra os rios e suas veias abertas (ou subterrâneas) que penetram o território.
Mas, para espanto de uns e outros, existe uma maré que lava (quase) tudo?
E o que dizer de um povo condenado ao emparedamento cruel da ausência de espaços, bairro-prisão?
O Tucunduba se nega a morrer.
O povo do Tucunduba levanta a bandeira da alegria e do direito ao lazer.
É um grito, um pedido de socorro.
É imperativo impedir que o silenciamento se imponha mais uma vez.
Aldenor Junior é jornalista.








