A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e o Ministro do STF Alexandre de Moraes – Foto: reprodução

Por Elias Araujo

Após a condenação de Jair Bolsonaro, em 11 de setembro de 2025, a 27 anos e 3 meses de prisão em regime fechado, três frentes se mobilizaram na tentativa de obter a reversão ou a redução da medida junto à Primeira Turma do STF.

A primeira frente, no âmbito jurídico, foi empreendida por seus advogados, que buscaram interpor recursos — todos negados — ou obter a volta do ex-presidente à prisão domiciliar.

A segunda frente, no âmbito político, foi conduzida pela bancada bolsonarista no Congresso Nacional, comandada por Flávio Bolsonaro e Sóstenes Cavalcanti, e buscou a votação de um projeto de anistia para todos os condenados pela tentativa de golpe de 8 de janeiro de 2023. Essa iniciativa também não prosperou, por falta do esperado apoio popular que não veio.

A terceira frente, no âmbito da chantagem política da extrema-direita internacional, foi empreendida por Eduardo Bolsonaro e seus comparsas junto ao governo estadunidense, buscando impor sanções ao país e até a aplicação da Lei Magnitsky contra Alexandre de Moraes, do STF, e Alexandre Padilha, do Ministério da Saúde, como forma de pressionar a Suprema Corte, o empresariado e o governo brasileiro a chegarem a um “acordão” com o Congresso Nacional para livrar o ex-presidente da cadeia, ou ao menos obter sua prisão domiciliar.

Não obstante esses esforços nas searas jurídica, política e “diplomática”, todas as tentativas de reverter a condenação ou de obter a volta à prisão domiciliar fracassaram, permanecendo o ex-presidente primeiro na sede da Polícia Federal em Brasília e depois na “Papudinha”, após a frustrada tentativa de fuga com o rompimento da tornozeleira eletrônica, quando ainda estava em prisão preventiva.

E quando tudo falhou nas três frentes — e mesmo as seguidas internações por ataques e laudos sobre o estado de saúde não surtiram efeito —, Michelle Bolsonaro entra em cena. Primeiro, obtém de Alexandre de Moraes a autorização para a pastora da Lagoinha Ezenete Rodrigues visitar o marido, ainda quando ele estava em prisão domiciliar. E, pelo visto, além de orações, a pastora também partilhou valiosas informações obtidas via as conexões com Valadão e Vorcaro sobre o ministro do STF.

Em segunda iniciativa, desta vez em março de 2026, em conversa muito convincente junto a Alexandre de Moraes, Michelle o convenceu a conceder novamente ao marido a tão esperada volta à prisão domiciliar que nenhuma pressão política ou sanção internacional havia logrado êxito.

Pouco tempo depois, na posse de Kássio Nunes na Presidência do TSE, em 12 de maio de 2026, a ex-primeira-dama cumprimentou gentilmente Alexandre de Moraes e sua consorte, Viviane Barci de Moraes. E, como se isto não fosse suficiente, recorrendo ao episódio em que Paulo de Tarso, o oficial fariseu que perseguia cristãos e se converteu, chamou o ministro que condenou seu marido de “irmão em Cristo”, o que despertou a ira não apenas dos enteados — já despeitados por seus sucessos na obtenção da prisão domiciliar —, mas também de parte dos seguidores do presidiário.

Agora, quando as relações mais do que perigosas entre Alexandre de Moraes e o banqueiro da Lagoinha são reveladas e exploradas seletivamente pela mídia oligárquica — mormente as ligações também incontestáveis e mais do que perigosas de outros ministros do STF, como Kássio Nunes e André Mendonça, que vão desde milhões em dinheiro até garota de programa, ternos de alfaiataria exclusiva e implante capilar —, fica claro o objetivo político de vinculá-lo a Lula.

Está também absolutamente evidente para quem queira ver que essas relações eram bem conhecidas internamente e usadas sempre com grande senso de oportunidade, seja para conseguir a prisão domiciliar do poderoso chefão, seja para desviar o foco dos escândalos do INSS e do “Vorcarogate” do gangster 01, o candidato ao “Miliciano II” que pretende o poder não apenas para soltar o pai, mas inclusive o próprio sócio de crime, o dono do banco de lavagens de dinheiro e de roubos de aposentados.

O problema (para os donos do poder) é que profissionais de história, desde tempos imemoriais, não esquecem fatos.

Elias Araujo é graduado em História pela Universidade Federal do Pará. Consultor em  Políticas Públicas.

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