O “loiro pivete” de Lívia Noronha, da Coordenadoria da Mulher de Belém (Combel-PMB)

Perguntaram-me o nome da cor do meu cabelo.

_ “Loiro pivete”, respondi imediatamente.

É o nome que segmentos da polícia, que os noticiários racistas, que os racistas e até alguns afroconvenientes dão ao cabelo loiro – descolorido – na cabeça do preto. Esse loiro torna corpos pretos, subalternizados, ainda mais abjetos em quase todos os espaços e situações.


Quando passa um loiro pivete, tem porta que fecha, tem vidro que sobe, tem gente que esconde a bolsa.

Mas, eu – e muitas outras que vieram na frente, e muitas outras que estão vindo agora – combinarei o meu loiro pivete com blazer, discurso afiado e política (pública e afirmativa, e também de resistência e da rua), pra que o meu e outros corpos políticos, também forjados como abjetos façam a necessária reparação histórica, ocupando todo espaço que nos foi negado.

Lívia Noronha é bacharela e mestra em Filosofia, pela Universidade Federal do Pará (UFPA). Foi professora substituta do curso de Filosofia da Universidade do Estado do Pará (UEPA) e professora colaboradora do curso de Educação do Campo da UFPA.

Texto publicado originalmente em sua Página do Facebook
Foto: arquivo pessoal

Uma resposta para “O “loiro pivete” de Lívia Noronha, da Coordenadoria da Mulher de Belém (Combel-PMB)”

  1. Lívia Noronha a frente da Combel, com essa visão de mundo e análise de contexto, assumindo lugar de fala e demarcando tão bem que o lugar de mulher, negra e periférica, também é na política, realmente é um acontecimento que merece destaque. Sem desconsiderar as muitas mulheres que constroem a política de esquerda, ela é nossa esperança de termos feministas no executivo, lugar marcado também na esquerda paraense, historicamente pela presença de homens. Muita luz e força a essa mulher que tanto nós representa!

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