Professor bolsonarista é demitido após fala “Quando for estuprada vai ser no seco?”; entidades lançam nota pelo fim da cultura do estupro

O Centro Universitário Metropolitano da Amazônia (Unifamaz) oficializou na tarde desta sexta-feira, 26, a demissão do professor do curso de Medicina, Marcus Vinicius Henriques Brito, que indagou uma aluna sobre como ela reagiria em uma situação de estupro, durante uma das aulas da turma do quinto semestre. “O docente envolvido no caso, a contar da presente data, não fará mais parte do corpo docente desta Instituição de Ensino Superior”, assegura a Unifamaz.

Por meio de nota, a instituição disse que “refuta com veemência qualquer atitude que viole o bem-estar da comunidade acadêmica e reforça seu compromisso com a formação de cidadãos éticos, portanto, repudia qualquer tipo de ato de assédio contra a mulher ou contra qualquer ser humano”.

Ainda segundo o comunicado, uma Comissão de Prevenção e Enfrentamento ao Assédio será instituída dentro do estabelecimento de ensino. “Enfatizamos que está sendo prestado apoio acadêmico-psicopedagógico a todas as partes envolvidas no fato ocorrido”.

O médico é professor do curso de medicina do Centro Universitário Metropolitano da Amazônia (Unifamaz) e também da UEPA e UFPA.

Segundo o site Belém Trânsito, no perfil do Facebook da esposa do médico Marcus Vinicius Henriques Brito, o slogan do bolsonarismo “Brasil a cima de tudo, Deus acima de todos” está estampado.

NOTA DE REPÚDIO AO CASO OCORRIDO NA UNIFAMAZ

São inúmeras as mulheres brasileiras e paraenses que sofrem violências cotidianas por serem mulheres, por orientação sexual e/ou identidade de gênero, pelo racismo que está entranhado na sociedade , na cultura do Brasil e nas diversas instituições de educação, saúde, assistência e segurança. Por violências que continuam construindo discriminações, preconceitos, sofrimento físico e mental em todas e todes nós em pleno século XXI.

Nesse ano de 2021 já são 50 mulheres assassinadas e 480 estupros, incluindo estupros de vulneráveis de janeiro a outubro de 2021 segundo registro da secretaria de segurança pública do Pará.
Nós mulheres temos cada vez mais levantado nossas vozes para apontar as violências sofridas no cotidiano e que também atentam contra sua liberdade sexual. Temos falado que essas violências rotineiras têm importância sim, que elas também são graves, que não adianta a sociedade se incomodar apenas com os casos brutais de estupro, pois a violência também está presente no assédio e na violência psicológica. E a naturalização do estupro passa assim pela naturalização com que a sociedade convive com esse ato criminoso. Dizemos assim que a cultura do estupro está presente socialmente como uma das mazelas com que nós mulheres convivemos.

A cultura do estupro abrange todo o espectro comportamental e cultural que subjuga o corpo da mulher, criando contexto para a violência. Esses comportamentos e culturas não são necessariamente aceitos ou legitimados pela sociedade, mas estão sendo negligenciados e naturalizados.

Combater a cultura do estupro implica estarmos atentos a toda e qualquer atitude cotidiana que agride a liberdade sexual da mulher. As duas palavras-chave que auxiliam nesse processo são: consenso e respeito. Precisamos respeitar mais a mulher enquanto indivíduo, enquanto ser humano que ela é. Com seus desejos, medos, ambições e sonhos. Ela não é um objeto a ser apreciado onde quer que esteja, ela não é um enfeite para vender produtos ou para ser mostrado para as pessoas, ela não é obrigada a satisfazer vontades sexuais das quais ela não compartilha. A mulher livre é a mulher que não teme.

Por séculos o domínio sobre os corpos vêm sendo aplicados em especial, aos corpos das mulheres numa perspectiva dos interesses dos homens em desqualificar as capacidades femininas nos inúmeros espaços sociais, no trabalho, na expressão da sexualidade que reduzem a função da mulher em saberes domésticos, gestação, exercício da maternidade e em algumas situações como força de trabalho.
As condutas e comportamentos vão se construindo através da interação do ser com a sociedade por meio de disputas políticas, econômicas, sociais e culturais fortalecendo as desigualdades de gênero por meio de estereótipos e hierarquia de valores. O estupro não acaba no ato sofrido. Ele é recorrentemente reproduzido nas diversas instâncias que deveriam acolher, cuidar e proteger nossos corpos.

Recentemente nos deparamos com a frase absurda do docente da Unifamaz e da UEPA Marcus Vinicius Brito que proferiu fala abusiva contra uma discente em momento em que este estava dando aula.Dá nojo de ouvir um “professor” naturalizar o estupro durante uma aula prática de intubação.Esse comportamento vergonhoso desse professor merece de todas nós repudio e nos solidarizamos com a companheira agredida pela fala desse professor. Nós exigimos que as instituições universitárias em questão (UNIFAMAZ e UEPA) tomem providências e procedimentos administrativos contra o comportamento desse professor. A fala desse professor é grotesca, desumana e incentiva a cultura do estupro ao naturalizar esse ato. Total desrespeito a todas nós mulheres.

Merece de todas nós REPÚDIO! Porém, além do repúdio de nossa parte enquanto integrantes dos movimentos sociais e feministas , é importante e necessário providências imediatas das duas instituições empregadoras desse docente, do CRM (Conselho Regional de Medicina do Estado do Pará) e da Justiça do Estado do Pará, por apologia ao crime de estupro.

PELO FIM DA CULTURA DO ESTUPRO!!!
A VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER NÃO É O MUNDO QUE A GENTE QUER!!!
FRENTE FEMINISTA PARÁ
Assinam:
Resistência Feminista
Fórum de Mulheres da Amazônia Paraense – FMAP
Conselho de Psicologia- CRP10
Coletivo Juntas
Mídias Alternativas na Amazônia/UFPA.
Mulheres contra o Facismo/Pará
Juventude Manifesta
Rede de Comunicadores e Comunicadoras por Direitos Humanos no Pará
Conselho Estadual da Diversidade Sexual Pará
Comissão de Mulheres do Sindicato dos Jornalistas do Pará
Associação Brasileira de Juristas pela Democracia – Núcleo Pará
Vereadora Lívia Duarte (PSOL/Belém)
Conselho Socialista Sustentável
Mandato Deputada Federal Vivi Reis
Coletivo Socialista Sustentável
Grupo As Boiúnas de Carimbó de Marapanim
Articulação de Mulheres Brasileiras- AMB
Coletivo Feminista Classista Ana Montenegro – CFCAM
Movimento dos Atingidos por Barragens – MAB
União Brasileira de Mulheres – UBM
Instituto Imanatara
Movimento Mulheres em Luta – MML/PARÁ
Partido Comunista Brasileiro – PCB
Maria Marize Duarte – Coordenadora do Grupo de Pesquisa Movimentos Sociais, Educação e Cidadania na Amazônia.
Gmseca/ Universidade do Estado do Pará – UEPA.
Dep Marinor Brito, da comissao de DH e da Procuradoria da Mulher da Alepa.
Associação de Docentes da UFPA – ADUFPA
GEPEGEFI-UFPA
Campo de Luta e Juventude PAJEÚ
Carimbó Cobra Venenosa
Mulheres Resistência e Luta
Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra- MST
Gepjuv- Ufpa
Rede Emancipa Belém

Com informações do Amazônia e ADUFPA

Deixe uma resposta