Como reconhecimento ao trabalho social do educador e sacerdote falecido em maio de 2020, e à importância das suas ações na defesa e na promoção da educação de crianças e adolescentes, o Conselho Municipal de Educação (CME) realizou na noite desta quinta-feira,19, a solenidade de outorga da “Comenda Paulo Freire” ao Padre Bruno Sechi – in memorian. A honraria foi recebida pela coordenadora-geral do Movimento de Emaús, professora Georgina Kalif Cordeiro, que se fez acompanhar de jovens da instituição criada pelo padre italiano, que chegou ao Brasil em 1969.
A comenda, instituída pela Resolução 08 de 14 de dezembro de 2022, tem o objetivo de homenagear pessoas físicas ou jurídicas que tenham se destacado na defesa e na promoção da educação pública ou prestado relevantes serviços à política educacional de Belém. A secretária de Educação de Belém, professora Araceli Lemos destacou que a data marca também o aniversário de Paulo Freire e sua permanente contribuição à educação brasileira e para o mundo.
A titular da Semec destacou o trabalho do missionário na Escola Salesiana do Trabalho, onde teve início a sua ação pastoral com a juventude, dando materialidade ao lema de Dom Bosco, de oportunizar aos jovens dos bairros da Pedreira, Sacramenta e Bengui de praticar o que era refletido nas leituras do evangelho e nos fundamentos da teologia da libertação.
Ela lembrou do surgimento da República do Pequeno Vendedor, que assistia as crianças que trabalhavam na feira do Ver-o-Peso, depois ampliada com a criação da Campanha de Emaús; e citou ainda a criação do Centro de Defesa da Crianças e do Adolescente (Cedeca) que surgiu com a finalidade de prestar assistência jurídica à crianças e adolescentes, vítimas de crimes de violência institucional, na maioria das vezes policial, tráfico internacional de seres humanos, e de combate às redes de exploração sexual e a violência doméstica.
Resistência e partilha
O diretor da Fundação Escola Bosque Professor Eidorfe Moreira (Funbosque) Laurimar Farias, destacou o papel da República de Emaús , há 20 anos, no bairro do Bengui, uma das áreas mais pobres de Belém. “Ali nós tínhamos a resistência de alguém que entendia que existiam pessoas que precisavam ser educadas. Aonde o Estado não chegava, estava o Movimento de Emaús como uma luz”.
Antes de fazer a entrega da comenda, o presidente do Conselho Municipal de Educação, professor Raimundo Alberto Damasceno, evidenciou também os méritos do homenageado ao afirmar que o Padre Bruno “foi um potencializador de mediações possíveis, buscando sempre encontrar formas de envolver e organizar a todos em um esforço coletivo, político e pedagógico, de enfrentamento ao problema do abandono de meninos e meninas”.
Após receber a Comenda Paulo Freire, a professora Georgina Cordeiro fez questão de citar o empenho do Padre Bruno em beber nos ensinamentos de Paulo Freire. “Essa homenagem representa muito bem todo o esforço e toda a vocação que o Padre Bruno sempre procurou desenvolver e partilhar quando começou, em 1970, com o grupo de jovens, que eu fiz parte, porque a ideia dele era exatamente fazer, com base nos ensinamentos de Dom Bosco, que trabalhava com a juventude, e com base no referencial de Paulo Freire”.
Ela só tomou conhecimento dos ensinamentos do patrono da educação brasileira no movimento de jovens. “Essa essência, essa referência freiriana, vem exatamente dessa raiz do movimento, do movimento popular da base, das comunidades eclesiais de base, que a igreja católica fazia”, afirmou.
A educadora popular Naraguassu Pureza, que também conviveu com o Padre Bruno, destacou que o conheceu no Marajó, aonde o missionário foi em busca de compreender a origem de muitas crianças, que viviam nas ruas de Belém, filhas de migrantes do interior do Pará. Ela exibiu alguns documentos que o educador estimulava os jovens a lerem e refletir.
“Eu estou escrevendo sobre o método do padre Bruno, porque ele era um filósofo, ele era um pensador. O trabalho dele não foi algo informal, espontâneo, ele era um revolucionário. E continua sendo, porque as suas ideias não morreram”.
Também participaram da solenidade o representante do Sindicato dos Estabelecimentos Particulares de Ensino do Estado do Pará (Sinepe), Matheus Freitas; a conselheira Francisca Guiomar da Silva; o diretor geral da Semec, Diogo Souza; e a diretora de Educação da Semec, Jaqueline Rodrigues. Muitos colaboradores do Padre Bruno prestigiaram o evento.
Via Agência Belém









