Caso das UPAs da Marambaia e Jurunas escancara falhas no modelo de gestão privada. Foto: Reprodução/Redes Sociais
Na manhã desta segunda-feira (22), trabalhadoras das UPAs da Marambaia e do Jurunas ocuparam a frente da Secretaria Municipal de Saúde de Belém (Sesma), na Avenida Governador José Malcher, para denunciar o não pagamento das férias de agosto, salários atrasados, o piso da enfermagem e as rescisões trabalhistas. As duas unidades passaram por mudança de gestão no mês passado, realizada pelo prefeito Igor Normando (MDB), com a saída da Insaúde, organização social que administrava os serviços desde 2020.
A situação chegou a um nível de calamidade para muitas famílias. Entre as manifestantes, há relatos de pessoas que tiveram a luz cortada e que enfrentam processos de despejo por falta de pagamento do aluguel. “Estamos na frente da Sesma reivindicando as férias de agosto, o salário que está atrasado. Já assinamos o aviso prévio, está finalizando, e até agora não temos nenhuma posição da Insaúde, que prestava serviços na UPA da Marambaia e do Jurunas”, afirmou Silvia Martins, agente de portaria da UPA da Marambaia.
De acordo com as trabalhadoras, a empresa já adiou quatro vezes a data prevista para pagamento dos salários, aprofundando a insegurança e a instabilidade financeira de dezenas de famílias.
Privatização que precariza
O impasse vivido em Belém expõe as consequências da privatização da saúde pública. A troca de empresas terceirizadas, longe de ser apenas um processo administrativo, resulta em interrupção de serviços, atrasos salariais e insegurança para trabalhadores e pacientes. Sem estabilidade na gestão e nos vínculos de trabalho, não há espaço para planejamento de longo prazo, condição fundamental para o fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS).
No caso das UPAs, o encerramento do contrato da Insaúde e a entrada de duas novas organizações – a Associação de Saúde, Esporte, Lazer e Cultura (ASELC), no Jurunas, e o Instituto Diretrizes, na Marambaia – deixaram um rastro de descontinuidade. Enquanto trabalhadores permanecem desamparados, a população não sabe como ficará o atendimento nas unidades. Um serviço essencial à vida segue sendo tratado como moeda de troca em licitações e contratos, evidenciando a fragilidade do modelo de terceirização na saúde.








