Mateus Moura apresenta, ao vivo, o álbum “A Imitação do Vento”, integrando o projeto de circulação que combina música e formação artística, selecionado pelo edital PNAB-PA. Foto: João Urubu

O Sesc Castanhal será a primeira cidade a receber o show do novo álbum de Mateus Moura, “A Imitação do Vento”. A apresentação será no dia 26 de setembro, às 20h. No palco com Mateus Moura (voz, violão e maraca), Sonyra Bandeira (flauta, voz e matraca) e Pedro Imbiriba (violão, bandolim, baixo e voz). O projeto ainda segue por diferentes territórios culturais, chegando à Ilha de Cotijuba (18/10) e Benevides (29/11), concluindo a jornada em Belém (05/12).

Idealizado pelo compositor, musicista e pesquisador Mateus Moura, o projeto nasceu do desejo de ampliar o diálogo entre a produção musical contemporânea e os territórios.
A circulação que se abre para A Imitação do Vento também será um marco na trajetória de Mateus. “É a primeira vez que vou ter a possibilidade de não apenas lançar um disco, mas levá-lo a outros lugares”, observa.

Para ele, essa conquista rompe um ciclo comum a muitos músicos independentes de Belém: “Muitas bandas nascem e morrem aqui. O público se interessa uma vez, mas depois quer novidade, e sem circulação os projetos não se sustentam.” Com a turnê, ele aposta no amadurecimento das canções no contato direto com novos públicos e projeta registrar esse percurso também em audiovisual.

Como meta, o projeto prevê a realização de oficinas de iniciação musical e um show, que serão levados a diferentes espaços de Belém, Benevides, Castanhal e da Ilha de Cotijuba. “Ao propor esse encontro entre artistas e territórios, buscamos fazer da arte um campo de trocas, que une experiências, afetos e saberes diversos”, resume.

Doutorando em Artes pela UFPA, Mateus traz na bagagem a intensidade da poesia, a síntese do audiovisual e o compasso da música. Em seu primeiro álbum solo, A Imitação do Vento, ele revela sua face mais íntima, fruto de cinco anos de um processo independente, construído com calma e persistência. “Foi um disco no passo do jabuti”, conta. “Sem pressa, mas sem nunca abandonar. A cada etapa, o álbum ganhava um sopro constante, até se completar.”

O álbum foi gravado no estúdio Guamundo, em parceria com Renato Torres, e reúne canções líricas em primeira pessoa. A simplicidade dos arranjos, com poucos elementos e espaço para o silêncio, traduz o espírito do vento que dá título ao trabalho: leve, mas carregado de histórias. “Quis trazer essa sofisticação da simplicidade, onde cada detalhe se sobressai. O silêncio também é música”, diz.

Uma travessia múltipla
A multiplicidade acompanha o artista desde o início. No audiovisual, Mateus dirigiu curtas e integrou coletivos de cinema independente, Mateus sempre transitou entre linguagens. Em 2018, três canções que mais tarde fariam parte de A Imitação do Vento apareceram no espetáculo teatral Árvore de Mim, solo da atriz Michele Campos, onde Mateus assinou a trilha sonora. No mesmo período, o músico se dividia entre projetos como o Les Rita Pavone, de tom mais irreverente, e o Manto, que mergulha em ritmos e mitologias amazônicas.

Em 2020, lançou o single Manhãzinha, em parceria com Lariza, no auge da pandemia. Dois anos depois veio o EP Imitação do Vento (cap. 1), ressaltando influências nordestinas, seguido pelo EP Cap. 2, em 2024. Essa costura de capítulos antecedeu o álbum completo, finalizado em 2025 com distribuição internacional pelo selo Cantores del Mundo.

“Eu começo processos ao mesmo tempo e sigo com eles em diferentes ritmos”, explica. “Sinto que agora fecho um ciclo de primeiros lançamentos para iniciar outro, de múltiplos fonogramas que vão amadurecer ao longo dos anos. Quero também organizar essa trajetória em espaços digitais, para que o público perceba esses diferentes lugares por onde navego.”

Cinema, cultura popular e o vento amazônico
Mateus considera sua música cinematográfica, como costumam dizer, e igualmente enraizada na cultura popular. “Quando entro no estúdio para gravar música, penso como num set de filmagem. Os músicos são como atores, cada voz é um personagem”, conta.
Ao mesmo tempo, ele também carrega no corpo a herança da cultura amazônica. Em 2020, compôs Viva Chico Braga!, em homenagem ao mestre do carimbó. “Ele me

ensinou que ser artista não tem nada a ver com sucesso ou projeção. É um estado de espírito, uma relação de reverência com a natureza e com a própria vida.”
No entanto, ao contrário do que reza a estrutura do cinema, Mateus não acredita em pontos de virada. “Vejo a vida como uma navegação constante. O que eu quero é continuar me desdobrando em projetos, cultivando processos poéticos e compartilhando essa intimidade criativa com quem estiver disposto a acompanhar.”

Imitação do Vento – Turnê Pará 2025
Ficha Técnica
Diretor, compositor, musicista, intérprete – Mateus Nogueira de Farias Moura
Produção Executiva – Andréa Augusta Mendes Rocha
Direção de Visualidade e Iluminação – Patrícia Gondim
Musicista, oficineira, coordenação pedagógica das oficinas – Sonyra da Silva Bandeira
Musicista, técnico de som – Pedro Imbiriba da Silva Lima
Produção Local (Cotijuba) – Admilson Medeiros de Souza
Produção Local (Castanhal) – Bianca de Araújo Neves
Produção Local (Benevides) – Flori Jácamo

Serviço
A Imitação do Vento: show no dia 26 de setembro, às 20h, no Sesc Castanhal (Av. Barão Rio Branco, 1823).

Oficina “A natureza do som”, com Sonyra Bandeira no dia 27 de setembro, às 9h, na Comunidade da Paz (Rua 1° de maio, próximo a movelaria União, no bairro de Pirapora).

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